Montante diz respeito a árvores e outros resíduos verdes, resíduos de construção e demolição, e fibrocimento.
A Câmara de Leiria perspetiva que existam mais de 7.600 toneladas de resíduos ainda por recolher devido ao mau tempo e estimou um custo acrescido de 2,5 milhões de euros neste âmbito, disse esta terça-feira o vereador Luís Lopes.
Aquele montante diz respeito a árvores e outros resíduos verdes, resíduos de construção e demolição, e fibrocimento, explicou à agência Lusa Luís Lopes, que tem, entre outros, o pelouro do ambiente.
Quanto à quantidade total de resíduos recolhidos desde o dia 28 de janeiro, data em que a depressão Kristin atingiu o concelho, o autarca declarou não ser, para já, possível aferir.
"Existem ainda muitos locais [com resíduos] por recolher e aguardamos ainda os números, quer da Valorlis, quer das quedas de árvores e resíduos verdes na área urbana", declarou à agência Lusa Luís Lopes.
A Valorlis é responsável pela valorização e tratamento de resíduos sólidos urbanos na Alta Estremadura (Batalha, Leiria, Marinha Grande, Pombal, Porto de Mós e Ourém).
Já a Ecoambiente, empresa que tem a concessão da limpeza urbana e recolha de resíduos indiferenciados no concelho de Leiria, terá recolhido entre 28 de janeiro e 23 fevereiro "mais de dez mil toneladas".
Luís Lopes adiantou que, na sequência do mau tempo, o Município de Leiria desencadeou a "contratação de serviços extra de resíduos urbanos, de limpeza de vias/remoção de árvores, serviços de recolha de resíduos não urbanos e serviços de recolha de materiais contendo amianto".
Nesta matéria, o vereador salientou que existem "desafios significativos", começando pela "dispersão de resíduos causada pelo vento e os danos em contentores ou obstrução/impedimento nos acessos".
Estas situações "dificultaram, inicialmente, a recolha regular, incluindo a recolha seletiva".
Em simultâneo, a "queda de ramos e árvores gerou grandes volumes de resíduos verdes num curto período, exigindo capacidade logística reforçada e mobilização de meios específicos para a sua remoção e encaminhamento".
Segundo o vereador, "o gigantesco aumento de resíduos gerados e a sua dispersão em termos geográficos, dimensões e quantidades" exponenciados pela "ausência de locais destinados a armazenamentos temporários para este efeito, com a existência de resíduos misturados, dificulta a respetiva triagem e recolha seletiva", incluindo "de não perigosos ou perigosos".
Nesse sentido, considerou que "a colaboração da população na correta deposição e encaminhamento dos resíduos será crucial para acelerar o alcance da normalidade".
Quanto ao valor já gasto pela autarquia, o vereador referiu que "foram diligenciados novos procedimentos no valor de 500 mil euros, sendo expectável a necessidade de lançar outros no valor de dois milhões de euros".
"A estes valores acrescerão os custos de recolha e tratamento junto da Ecoambiente e Valorlis, existindo uma estimativa de 500 mil euros" aos quais terão de ser subtraídos valores do período homólogo de 2025, declarou Luís Lopes.
Questionado sobre a existência de muitas telhas de amianto depositadas em lixeiras informais, Luís Lopes garantiu que a Câmara "está em contacto com operadores licenciados para assegurar o seu encaminhamento, sendo a sua recolha entendida como prioritária, pelo que o município assegurará as intervenções, atendendo ao garante da saúde pública".
A autarquia pediu também esclarecimentos à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e à Agência Portuguesa do Ambiente "dada a dimensão do cenário e os custos avultados", para "saber se poderão existir" apoios financeiros "para suportar os encargos extraordinários associados, não só às operações de recolha, transporte e eliminação de amianto, mas também de resíduos não urbanos".
"A resposta foi o encaminhamento junto da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País", referiu o autarca.
Luís Lopes apelou aos munícipes para que "utilizem os canais oficiais de entrega de resíduos e para que reportem situações de deposição ilegal, contribuindo para a proteção do ambiente e da saúde pública".
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