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Correio da Manhã

Sociedade
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Liberalizar margens beneficia farmácias

A liberalização das margens de lucro na venda de medicamentos vai favorecer sobretudo as farmácias e não terá benefícios directos para os doentes, conclui um estudo da AT Kearney a que o CM teve acesso.

18 de Fevereiro de 2009 às 00:30
Lucro de quem vende remédios deixa de ser fixado e mantém-se apenas preço máximo de venda ao público
Lucro de quem vende remédios deixa de ser fixado e mantém-se apenas preço máximo de venda ao público FOTO: Natália Ferraz

A consultora americana analisou o impacto da abolição das actuais margens de lucro definidas pelo Estado para os laboratórios, farmácias e grossistas, anunciada pela ministra Ana Jorge em Novembro, no Congresso da Associação Nacional de Farmácias (ANF). E conclui que "a ANF é a mais bem posicionada para reforçar o seu poder, seja através de ganho de quota no mercado grossista, seja com a revitalização da sua central de compras, podendo no limite actuar como um comprador que representa 97% do mercado".

O estudo analisou o sector da venda de remédios e diz que, apesar de as actuais margens para as farmácias serem de 18,25%, estes estabelecimentos acabam por ter lucros reais de 25 a 26%, devido aos descontos negociados com os grossistas na compra de medicamentos. Com a abolição de taxas de lucro fixas, em vez de o resultado ser um preço mais baixo para o doente "qualquer desconto poderia ser absorvido por qualquer agente da cadeia". Mas acabará por "propiciar o desenvolvimento de centrais de compra e agrupamentos virtuais de farmácias". Os grossista terão de responder, reduzindo as suas margens, o que levará a concentrações neste sector (onde a ANF está presente através da Alliance Healthcare). E os laboratórios "terão de criar modelos alternativos de distribuição para evitar erosão das margens".

A ANF não comenta o estudo, por não conhecer o seu conteúdo, mas fonte da associação lembra que desde 2005 – quando o Governo reduziu as margens – "as farmácias têm sido penalizadas em mais de 200 milhões de euros por via de uma transferência para a indústria, sem benefícios para utentes e Estado".

CONCLUSÕES

ABASTECIMENTO

A prazo podem surgir "problemas de abastecimento em zonas menos atractivas comercialmente".

ESTADO E UTENTES

Não terão benefício directo com a liberalização, já que o preço final não irá baixar.

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