Chamadas atendidas até dez minutos diminuíram dos 93% para os 67.5%.
O número de atendimentos da Linha SNS24 aumentou 58,9%, entre 2024 e 2025, um aumento acompanhado pelo agravamento dos tempos de espera, com algumas chamadas a aguardarem mais de 30 minutos no ano passado, foi esta quarta-feira revelado.
Os números constam de um estudo da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) esta quarta-feira publicado que analisa o impacto do projeto 'Ligue Antes, Salve Vidas' no acesso a cuidados de saúde.
Lançado pela Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) em 2023 como projeto-piloto e atualmente em vigor na generalidade dos hospitais públicos, o projeto visa diminuir a pressão nas urgências.
O estudo revela que, entre 2024 e 2025, o número de chamadas telefónicas atendidas pelo Serviço de Triagem, Aconselhamento e Encaminhamento (STAE), da Linha SNS 24, que abrange os atendimentos realizados no âmbito do projeto "Ligue antes, salve vidas", aumentou 58,9%.
A ERS conclui no entanto que "o aumento da utilização da Linha SNS 24 foi acompanhado por um agravamento dos tempos de espera para atendimento telefónico, tendo-se observado um aumento significativo das chamadas com espera superior a 30 minutos em 2025", conforme se lê nas conclusões do estudo partilhado com a agência Lusa.
Se em 2024 o número de chamadas com espera superior a 30 minutos era de 58.525, em 2025 esse número subiu para 466.751. Relativamente à orientação clínica da Linha SNS 24, a entidade destaca um aumento de 3,7 pontos percentuais - entre o último trimestre de 2024 e igual período de 2025 - dos encaminhamentos para Cuidados de Saúde Primários (CSP) e uma redução de 1,9 dos encaminhamentos para autocuidados.
Os dados revelam ainda que, embora a maioria dos encaminhamentos da Linha SNS 24 para CSP tenha resultado em agendamento de consulta, houve uma redução da percentagem de episódios com agendamento efetivo de consultas aberta e um aumento das situações que resultaram em teleconsulta. Já no que diz respeito a encaminhamentos da Linha SNS 24 para cuidados de saúde hospitalares, a ERS refere que se obtiveram níveis muito elevados de referenciação para Serviço de Urgência (SU) ou consulta aberta hospitalar, com valores iguais ou próximos dos 100%.
"Ainda assim, observou-se em 2025 um aumento de situações de recusa dos utentes (mais 0,7 pontos percentuais) e de episódios sem referenciação por constrangimentos técnicos (mais 0,1%), embora permanecendo residuais, em termos relativos", conclui a entidade.
A ERS também analisou a adequação da orientação clínica e concluiu que "uma reduzida percentagem de consultas não programadas, com origem em referenciação na Linha SNS 24, culminou em referenciação subsequente para SU".
Em contraste, em 2025 foi observado um aumento dos episódios referenciados para SU que, após triagem hospitalar, foram reencaminhados para CSP, particularmente nos episódios classificados com prioridade "Pouco Urgente" (6,2%) e "Não Urgente" (16,8%).
"Os dados evidenciam um aumento muito significativo da utilização dos CSP. Apesar de a Linha SNS 24 manter predominância enquanto principal via de encaminhamento, em 2025 observou-se uma redução progressiva da sua proporção relativa no total de consultas não programadas, acompanhada pelo aumento dos episódios agendados diretamente pelos utentes ou por outras vias, o que poderá refletir uma adaptação progressiva dos utentes ao novo modelo organizacional", conclui a ERS que elogia a resposta dos CSP.
"Apesar do aumento expressivo da procura, os CSP mantiveram elevada capacidade de resposta, assegurando tempos reduzidos de espera para consulta não programada, com mais de 90% das consultas a serem realizadas em menos de 24 horas após referenciação", refere.
A ERS também aponta para uma "alteração de padrão", nos episódios de urgência por origem de admissão, concluindo que houve uma redução de 16,4 pontos percentuais na proporção de episódios realizados por iniciativa do utente entre o primeiro trimestre de 2024 e o último trimestre de 2025. E, no mesmo período, a proporção de episódios com origem na Linha SNS 24 aumentou 10,5 pontos percentuais, um aumento que a ERS descreve como "consistente com a implementação do projeto 'Ligue Antes, Salve Vidas'", até porque em 2025, observou-se uma redução global de 71.078 episódios de urgência face a 2024, associada às prioridades clínicas de menor gravidade.
Assim, concluiu-se que "os resultados sugerem uma alteração da procura, com maior peso relativo dos episódios urgentes e muito urgentes, ainda que se mantenha uma utilização significativa dos SU para situações de menor prioridade clínica [Pouco urgente" e "Não urgente"], representando 31,3% dos episódios, em 2025". Os dados sugerem uma redução da percentagem de episódios de urgência de baixa prioridade clínica, ou seja os "Pouco Urgente" e os "Não Urgente", nas entidades abrangidas pelo projeto.
No entanto, que com base na análise das reclamações dos utentes, a ERS identificou padrões recorrentes de constrangimentos na operacionalização do projeto-piloto "Ligue Antes, Salve Vidas", pelo que emitiu uma instrução à Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) sobre a qualidade e efetividade da referenciação, a articulação operacional do modelo e a capacidade de resposta da Linha SNS 24 em períodos de pressão assistencial acrescida.
Adicionalmente, a entidade emitiu uma recomendação às 27 Unidades Locais de Saúde abrangidas pelo projeto, com foco no cumprimento das regras de acesso e para garantir que os mecanismos de referenciação prévia não constituem um obstáculo ao acesso dos utentes a cuidados de saúde adequados, integrados e prestados em tempo clinicamente aceitável.
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