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Lusa e RTP assinam acordo que prevê partilha de instalações a nível regional e internacional

Acordo prevê o reforço da eficiência operacional e da presença do serviço público no território, através de sinergias e da otimização de recursos, refere Conselho de Administração da agência noticiosa.

15 de junho de 2026 às 19:59

A Lusa e a RTP vão assinar um memorando de entendimento que prevê o reforço da colaboração, incluindo a possibilidade de partilha de instalações a nível regional e internacional, informou esta segunda-feira o Conselho de Administração da agência noticiosa.

"A Lusa -- Agência de Notícias de Portugal e a RTP -- Rádio e Televisão de Portugal estabeleceram um acordo de colaboração que prevê o reforço da cooperação operacional entre as duas entidades, incluindo a possibilidade de partilha de instalações a nível regional e internacional, mantendo total autonomia editorial e excluindo qualquer cenário de fusão entre as duas entidades", lê-se na nota enviada aos trabalhadores.

O acordo prevê o reforço da eficiência operacional e da presença do serviço público no território, através de sinergias e da otimização de recursos, refere.

Segundo a mesma nota, o memorando de entendimento, que vai ser assinado brevemente, garante que a Lusa e a RTP vão manter a sua identidade e autonomia.

Conforme precisou a Administração da Lusa, composta por Joaquim Carreira, Ana Alves e Luís Ferreira Lopes, a cooperação "é limitada a situações em que se verifiquem ganhos efetivos de eficiência e criação de valor para o serviço público".

Com este acordo, as duas administrações pretendem "potenciar a cobertura jornalística" e desenvolver projetos em áreas como tecnologia e informação.

"No domínio da verificação de informação, a Lusa será parceira preferencial da RTP", sublinhou.

Será ainda avaliado o desenvolvimento de programas de formação conjuntos e a criação de centros de competência partilhados em áreas como cibersegurança, análise de dados e inteligência artificial.

Em fevereiro, os sindicatos representativos dos trabalhadores da Lusa indicaram que a administração da agência admitiu a possibilidade de mudar a sede para a RTP "se trouxer mais valor".

O presidente do Conselho de Administração da Lusa, Joaquim Carreira, também já tinha admitido "fazer sentido" a Lusa estabelecer sinergias com a RTP, desde que "financeiramente favoráveis à agência", nomeadamente ao nível de algumas delegações, compras conjuntas, servidores e plataformas.

Os sindicatos dos Jornalistas (SJ), dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas (SITE CSRA) e dos trabalhadores do setor dos Serviços (SITESE) defenderam que a mudança da Lusa para a RTP é uma "realidade pretendida pelo Governo e pela administração, que se consubstanciará a não ser que os trabalhadores e a sociedade se mobilizem e ela se oponham firmemente".

Para os sindicatos, "reduzir recursos, infraestruturas e autonomia não acrescenta valor a qualquer empresa", que "não se vê pelas poupanças conseguidas, mas pelo valor que lhe é reconhecido no 'produto' que faz".

Os sindicatos alertaram ainda que "uma Lusa enfraquecida facilita fortemente maior controlo externo".

Em novembro de 2025, o Estado passou a deter a totalidade do capital da Lusa.

No mês seguinte, foi anunciada a recondução do presidente do Conselho de Administração da Lusa, Joaquim Carreira, e a entrada de Luís Ferreira Lopes e Ana Alves como vice-presidentes.

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