A mulher de Miguel Esteves Cardoso, Maria João Pinheiro, está a lutar contra um cancro da mama, uma batalha que o casal resolveu partilhar e que motivou uma onda de solidariedade.
A doença da antiga apresentadora da meteorologia da SIC, de 40 anos, foi diagnosticada em 2009. No entanto, no final de Abril, o escritor revelou, numa das suas crónicas no ‘Público', que o tumor da mulher se alastrou ao cérebro. Desde então, Miguel Esteves Cardoso tem descarregado todas as suas emoções através da escrita, onde revela o seu sofrimento com a situação e o amor pela mulher.
O drama, segundo contou Miguel Esteves Cardoso, começou em 2009, quando foi detectado um cancro na mama. "Tratou-se esse cancro, mas mais tarde surgiram metástases no pulmão e agora no cérebro", explicou o escritor ao CM, dando conta do sucesso da operação realizada por Alexandre Campos e João Lobo Antunes, há uma semana, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa: "Todos foram inexcedíveis. Está em casa desde sexta-feira e a recuperar bem."
Segundo Carlos Oliveira, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), Portugal tem uma taxa de sobrevivência ao cancro da mama de 70 por cento após cinco anos da sua detecção. Estes valores, acrescenta, podem subir aos 90 por cento detectado numa fase inicial. Todos os anos são detectados 4500 novos casos e morrem 1500 mulheres vítimas da doença.
APOIO-SURPRESA NAS REDES SOCIAIS
O casal tem recebido mensagens de apoio nas redes sociais. "Uma surpresa. Só agora percebi o valor e a importância na força à Maria João", disse o escritor ao ‘CM'.
UM POR CENTO DOS CASOS EM HOMENS
Apesar de o cancro na mama ter maior incidência nas mulheres - é o tumor com maior incidência -, os homens também podem sofrer com a doença. Segundo a Liga Portuguesa Contra o Cancro, um por cento de todos os casos detectados são em homens.
DISCURSO DIRECTO
"METÁSTESES PODEM APARECER AO FIM DE 10 ANOS", Jorge Espírito Santo, Colégio Onc. O. Médicos
Correio da Manhã - Mesmo tratado, o cancro da mama pode reaparecer. Porquê?
Jorge Espírito Santo - É uma das suas características. Após o tratamento do tumor inicial podem passar-se dez anos até ao reaparecimento de metástases em qualquer parte do corpo.
- É uma situação preocupante em Portugal?
- As recidivas no cancro da mama são cada vez mais baixas em Portugal. Resultado de uma intervenção mais eficaz no tratamento e no diagnóstico precoce.
- A prevenção é fundamental...
- Sim, mas não só. Devem ser evitados comportamentos de risco, como fumar ou peso em excesso.
RASTREIO CUSTA 7 MILHÕES DE EUROS
O rastreio do cancro da mama custa sete milhões de euros para a Liga Portuguesa Contra o Cancro, referiu o seu presidente, Carlos Oliveira. O Ministério da Saúde assume 85% da despesa e os restantes 15% são pagos com receitas próprias da Liga.
PENÍNSULA DE SETÚBAL E LISBOA SEM RASTREIO
As regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Península de Setúbal continuam sem rastreio ao cancro da mama. Segundo Carlos Oliveira, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro, já foram dados passos para concretizar esse objectivo, mas a situação ainda não foi desbloqueada.
"Houve vários contactos entre a Liga e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo", revelou Carlos Oliveira, dando conta da total disponibilidade da LPCC para colocar o plano em prática: "Estamos prontos para avançar já para o terreno. Aguardamos apenas uma indicação da ARS de Lisboa para começar". Tratando-se da zona de maior concentração populacional do País, Carlos Oliveira explica a logística do processo: "Precisamos de autorização da ARS para aceder às mulheres que devem ser chamadas."
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