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Correio da Manhã

Sociedade
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Madeira: Utentes antecipam compra de medicamentos

Vários utentes estão a antecipar a compra de medicamentos por temerem que o Governo Regional da Madeira não consiga saldar a dívida de 77 milhões de euros com a Associação Nacional das Farmácias, embora os estabelecimentos não registem a mesma "corrida" de Dezembro.
6 de Janeiro de 2012 às 14:24
Vários utentes estão a antecipar a compra de medicamentos por temerem que o Governo Regional da Madeira não consiga saldar a dívida de 77 milhões de euros com a Associação Nacional das Farmácias
Vários utentes estão a antecipar a compra de medicamentos por temerem que o Governo Regional da Madeira não consiga saldar a dívida de 77 milhões de euros com a Associação Nacional das Farmácias FOTO: Tiago Sousa Dias

"Vim propositadamente comprar um restinho de medicamentos, já quero estar preparado até que isto melhore", afirmou à agência Lusa um utente de 70 anos, depois de desembolsar 36 euros por uma receita na Farmácia Santo António, no concelho do Funchal.  

O funcionário deixou o aviso: "Se viesse na segunda-feira, os medicamentos não eram comparticipados e teria de pagar 101 euros".         

Esta semana, a Associação Nacional das Farmácias (ANF) anunciou que vai suspender a dispensa de medicamentos a crédito à população da Madeira a partir de segunda-feira, por incumprimento do Governo Regional do plano de pagamento da dívida às farmácias.

O Governo Regional "falhou, novamente, o cumprimento do plano de pagamento às farmácias da região" e que "não há financiamento bancário que permita manter a dispensa de medicamentos a crédito à população", justificou a ANF.   

Em Dezembro, a ANF tomou igual posição, depois de o Executivo liderado por Alberto João Jardim ter deixado de cumprir o plano, mas recuou na sequência da garantia da sua execução. O Governo Regional comprometeu-se então a regularizar os dois milhões de euros relativos a Novembro e, simultaneamente, continuar a assegurar o pagamento mensal mínimo de quatro milhões de euros, mas a dívida continua por saldar.          

De acordo com o farmacêutico Paulo Sousa "há pessoas a comprar hoje os medicamentos para se precaverem de eventuais surpresas". "Há também utentes que questionam presencialmente e outros que telefonam a perguntar se vai deixar de haver comparticipação", adiantou, sublinhando que "as pessoas que têm outros subsistemas de saúde não têm razão para preocupação, porque a situação não as afecta".         

Na Farmácia da Penteada, também no Funchal, regista-se a preocupação, mas sem a mesma "corrida" aos estabelecimentos de Dezembro, quando a ANF comunicou a decisão. "Chegam algumas pessoas para aviar as receitas com medo de não terem a comparticipação e todas manifestam essa preocupação", declarou Sérgio Magro.         

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