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Correio da Manhã

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Mães com mais de 39 anos têm maior risco de ter filhos com paralisia cerebral

Foi apresentado na Fundação Gulbenkian o relatório “Paralisia Cerebral em Portugal no século XXI: Indicadores Regionais (2018)”.
Susana Pereira Oliveira e Rogério Chambel 7 de Fevereiro de 2019 às 21:53
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Foi apresentado na Fundação Gulbenkian o relatório “Paralisia Cerebral em Portugal no século XXI: Indicadores Regionais (2018)”.

Foi apresentado nesta quinta-feira, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, o relatório "Paralisia Cerebral em Portugal no século XXI: Indicadores Regionais (2018)". Este é o quarto relatório publicado pelo Programa de Vigilância Nacional da Paralisia Cerebral aos 5 anos de idade (PVNPC5A).

O estudo, no âmbito do programa coordenado por Daniel Virella (neonatologista), concluiu que entre 2001 e 2010 residiam, em Portugal, 1719 crianças com paralisia cerebral, o que corresponde a 1,65% total da população com 5 anos de idade.

Os autores do relatório recorreram a uma análise com indicadores regionais. Tendo em conta factores socioeconómicos, mães com idade superior a 39 anos, correm mais 52% de risco de ter um filho com paralisia cerebral do que as mães com idade compreendida entre os 20 e os 29 anos. O risco de paralisia cerebral em casos de gravidez múltipla foi, durante o período em análise, 4,5 vezes maior do que nas gravidezes únicas.

O relatório concluiu que no Norte do país é onde há "maior proporção de crianças com paralisia cerebral que nasceram após técnicas de reprodução medicamente assistida" (7,5% do total das crianças) ou de gestação múltipla (13,5% do total das crianças). Noutras zonas, analisando nascimentos com recurso às mesmas técnicas, os valores são mais baixos. No Centro e no Alentejo a percentagem de crianças com paralisia cerebral foi de 1,5%, em cada uma das zonas, no Algarve foi de 1,8% e na Madeira 2,2%. Algarve é o região com a maior percentagem (21,6%). 

De acordo com o relatório, houve um declínio da taxa de incidência de paralisia cerebral aos 5 anos nas crianças nascidas entre 2001 e 2010. O número de crianças com paralisia cerebral é de 1,55 por mil nados-vivos.

Abílio Cunha, presidente da Federação das Associações Portuguesas da Paralisia Cerebral, referiu que o relatório "permite saber quantas crianças nascem com paralisia cerebral, onde nascem, como nascem, para que possamos ter ferramentas para, junto do poder político, começar a planear o futuro destas crianças quer a nível escolar quer a nível de realização pessoal e social, para virem a ter um desempenho como os outros cidadãos".

Abílio Cunha defende que é importante que Portugal reconheça nestas organizações e federações "um interlocutor privilegiado para debater políticas e apontar soluções para os problemas que é necessário resolver, como questões de educação, saúde, emprego". Para o presidente da Federação das Associações Portuguesas da Paralisia Cerebral, todos os cidadãos com "deficiência ou não, paralisia cerebral ou não, podem usufruir, na mesma igualdade, de oportunidades e ter boa qualidade de vida".

Abílio Cunha não deixou de enaltecer o trabalho da medicina no âmbito da paralisia cerebral e destacou que "quanto mais cedo for o diagnóstico, melhor será a intervenção e quanto melhor for a intervenção, sobretudo nos primeiros anos de vida, melhores são as probabilidades de se possibilitar aos indivíduos um futuro normal". Os portadores de paralisia cerebral e as pessoas com deficiência "podem ser cidadãos activos e podem ter as ferramentas como os demais cidadãos", finalizou Abílio Cunha.

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