Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade

Maioria dos hospitais privados sem teleconsultas para beneficiários da ADSE

As teleconsultas comparticipadas pela ADSE arrancaram em 0«9 de abril, já em plena pandemia de covid-19.
Lusa 14 de Outubro de 2020 às 09:53
ADSE
ADSE FOTO: Bruno Colaço
A generalidade dos hospitais privados não está a realizar teleconsultas aos beneficiários da ADSE devido a regras "impraticáveis" estabelecidas pelo instituto da proteção na doença da função pública, disse o presidente da Associação Portuguesa da Hospitalização Privada (APHP).

"A ADSE não está a proporcionar aos seus beneficiários o acesso a teleconsultas, ao contrário do que acontece por exemplo, com os cidadãos que têm seguros de saúde", afirmou à Lusa o presidente da APHP, Óscar Gaspar.

As teleconsultas comparticipadas pela ADSE arrancaram em 09 de abril, já em plena pandemia de covid-19, mas o subsistema de saúde da função pública só comparticipa duas consultas à distância por mês a cada beneficiário e apenas no regime convencionado.

Segundo Óscar Gaspar, "as regras definidas unilateralmente pela ADSE são impraticáveis" uma vez que os hospitais não têm como saber qual o número de teleconsultas já realizadas, tendo de suportar os custos no caso de o beneficiário ter ultrapassado as duas por mês.

A associação enviou em 08 de abril uma carta ao conselho diretivo do instituto de proteção e assistência na doença da função pública a alertar para a questão, mas até agora não obteve resposta, indicou o presidente da APHP.

Na carta, a associação alertava o instituto para o facto de "a generalidade dos hospitais" privados não conseguirem aplicar as regras, sustentando que elas constituíam "um risco financeiro" para o prestador.

"O limite de duas consultas por mês por beneficiário não é controlável pelo prestador, uma vez que o beneficiário poderá realizar consultas noutros prestadores" e "não sendo controlável, constitui-se como risco financeiro e de cobrança acrescido", pode ler-se na carta.

A APHP reconhece a necessidade do controlo por parte da ADSE, mas defende que deve ser feito pelo próprio instituto e não pelos hospitais, através de uma autorização prévia que poderá ser feita através de SMS ou email.

A Lusa contactou o Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública sobre a questão, nomedamente para saber quantas teleconsultas foram realizadas a beneficiários da ADSE, mas não obteve resposta.

 

ADSE APHP Óscar Gaspar macroeconomia economia negócios e finanças
Ver comentários