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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Mais de 160 vias afetadas no distrito de Santarém devido ao mau tempo

Cheias na bacia do Tejo continuam a provocar inundações urbanas, estradas submersas e isolamentos de populações.

09 de fevereiro de 2026 às 15:03

O distrito de Santarém regista esta segunda-feira 162 vias cortadas ou condicionadas devido às cheias na bacia do Tejo, que continuam a provocar inundações urbanas, estradas submersas e isolamentos de populações nos concelhos da Lezíria do Tejo e Médio Tejo.

Num aviso divulgado pelo Comando Regional de Lisboa e Vale do Tejo da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), é referido que a informação da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) indica a manutenção dos caudais elevados no rio Tejo e prevê que a situação se prolongue nas próximas horas.

Os efeitos das cheias acumulam-se em praticamente todos os municípios ribeirinhos do Tejo. Em Salvaterra de Magos, permanecem submersos troços de ligação entre Salvaterra, Foros de Salvaterra, Marinhais, Muge e Escaroupim, incluindo a Ponte Rainha D. Amélia, que está cortada.

No Cartaxo, a EN114-2 e a EN3-2 encontram-se submersas junto ao Reguengo e Valada, mantendo isoladas as povoações de Setil, Valada, Porto de Muge, Palhota e Reguengo da Valada.

O concelho de Santarém apresenta dezenas de estradas cortadas, incluindo a EN365-4, acessos afetados pelo transbordo do Alviela e vias submersas na Ribeira de Santarém, além de movimentos de massa e abatimentos de taludes em vários pontos. A população das Caneiras foi retirada da povoação.

Na Golegã, estão submersas estradas municipais e zonas ribeirinhas da Azinhaga e do Pombalinho, com campos agrícolas inundados junto ao Paul do Boquilobo. A ponte da Cardiga, na ligação a Vila Nova da Barquinha, está "em risco de colapso".

Já no concelho da Chamusca, há registo de colapsos de vias, quedas de taludes e múltiplas estradas rurais e urbanas submersas, incluindo acessos ao Arripiado, onde a zona ribeirinha se encontra interditada.

Ainda assim, a ponte da Chamusca foi esta segunda-feira reaberta ao trânsito, depois de o troço de acesso à ponte, no lado da Golegã, ter deixado de estar submerso, na sequência da descida dos caudais do Tejo.

A circulação encontrava-se interrompida porque a água galgara a estrada, impedindo o acesso à ponte a partir da margem da Golegã.

De acordo com a proteção civil, com a estabilização do nível da água, a remoção de detritos e verificação da segurança da plataforma rodoviária, foi possível restabelecer a mobilidade entre os dois concelhos.

Alpiarça mantém vários quilómetros de estradas municipais submersas, com galgamentos na Vala de Alpiarça e várias quintas isoladas. Em Azambuja, estão cortados acessos a Maçussa, Virtudes e Carvalhos, além da submersão da EN3-2.

Em Benavente, várias secções da EN118 permanecem inundadas.

Por sua vez, em Almeirim, diversos troços entre a cidade, Fazendas de Almeirim, Benfica do Ribatejo e Tapada mantêm-se cortados.

Já em Abrantes, zonas ribeirinhas do Aquapolis Norte e Sul estão submersas, tal como troços da EN118.

A situação repete-se em Constância, Vila Nova da Barquinha, Torres Novas, Ourém, Sardoal, Mação e Alcanena, onde estradas municipais, ribeirinhas e acessos a várias localidades se encontram cortados ou submersos.

Segundo a ANEPC, a precipitação prevista "pode originar inundações urbanas, cheias por transbordo de cursos de água, instabilização de vertentes e formação de lençóis de água", além do possível carregamento de detritos para as vias e queda de estruturas mal fixadas.

A Proteção Civil prevê que os caudais elevados debitados pelas barragens da bacia do Tejo se mantenham nas próximas horas, prolongando a situação de alerta.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até ao dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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