Opinião dos empresários face aos apoios do executivo manteve-se "estável", após o agravamento registado no mês anterior.
Cerca de 83% das empresas consideram que os programas de apoio do Estado, para mitigar o impacto da pandemia, estão aquém do necessário, segundo um estudo da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), esta segunda-feira divulgado.
"Na semana de 04 de dezembro, 83% das empresas considera que os programas de apoio estão aquém (ou muito aquém) do que necessitam", lê-se na análise da CIP, desenvolvida com o Marketing FutureCast Lab do ISCTE -- Instituto Universitário de Lisboa.
A opinião dos empresários face aos apoios do executivo manteve-se "estável", após o agravamento registado no mês anterior.
Entre novembro e dezembro, o número de empresas que pediu financiamento bancário subiu de 44% para 46%, enquanto o número de empresas que ainda não receberam esse financiamento avançou de 8% para 11%.
Por sua vez, no que se refere aos prazos de pagamento, 73% das empresas afirmaram que estes se mantiveram, em novembro face ao período homólogo, enquanto 18% aumentaram, sendo que a média do aumento se fixa em 40 dias.
No período em causa, 64% das empresas efetuaram vendas só a clientes habituais, enquanto 36% dizem que realizaram a novos clientes.
Os prazos de recebimento mantiveram-se para 61% das empresas, diminuíram para 10% e aumentaram para 29%.
"De forma geral as encomendas em carteira estão a diminuir em muito mais empresas do que aquelas que estão a aumentar (44% versus 12%). Face a 01 de novembro este indicador teve uma ligeira melhoria em número de empresas (passou de 46% para 44% o número de empresas em que diminuiu), assim como no valor da diminuição (passou de 40% para 37%)", refere.
Já no que se refere às expectativas para os próximos quatro meses, no que concerne às vendas, 48% esperam uma diminuição e 17% uma progressão.
As grandes empresas apresentam uma maior expectativa face ao aumento das vendas, enquanto nas micro empresas só 8% acreditam que vão aumentar e 56% diminuir.
"Pensamos que as informações relativas à vacinação e chegada de fundos europeus podem ter contribuído para este maior otimismo por parte das grandes empresas", considerou Pedro Dionísio do ISCTE, durante a apresentação 'online' do inquérito.
O barómetro revelou também que existe um maior número de empresas (14%) que esperam diminuir o número de trabalhadores do que aumentar (12%) nos próximos quatro meses.
Por último, 39% das empresas pensam diminuir o investimento no próximo ano, em comparação com 2019.
O estudo considerou um universo de 150 mil empresas, com uma amostra de 431 empresas para um erro máximo de 4,7% para um índice de confiança de 95%.
Por setor, destacam-se as empresas de indústria e energia, que representam metade da amostra, seguida pelos outros serviços (24%) e o comércio (10%).
Já no que se refere à dimensão, a amostra é maioritariamente (71%) constituída por micro e pequenas empresas, representando as de dimensão média 22% e as grandes 7%.
A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.612.297 mortos resultantes de mais de 72,1 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Em Portugal, morreram 5.649 pessoas dos 350.938 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
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