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Correio da Manhã

Sociedade
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Mais de nove mil alunos faltaram

Mais de nove mil alunos faltaram ontem à primeira fase do exame nacional de Português do 12º ano. Dos 74 373 alunos inscritos, só 65 011 realizaram a prova. Os 9362 faltosos vão ter de esperar pela segunda fase, em Julho.

17 de Junho de 2009 às 00:30
Mais de 65 mil alunos do 12.º ano realizaram ontem de manhã a prova de Português
Mais de 65 mil alunos do 12.º ano realizaram ontem de manhã a prova de Português FOTO: Pedro Catarino

A maior percentagem de faltas aconteceu na Delegação Regional Norte, com a ausência de 3443 estudantes. Mesmo nervosos, a maioria dos educandos considerou a prova acessível e, como tal, não sentiu grandes dificuldades.

Andreia Santos, de 18 anos, frequenta a Escola Secundária Padre António Vieira, em Lisboa, e garante que o exame de Português lhe "correu bem", mesmo sem ter estudado "praticamente nada". A única dificuldade recaiu na questão de escolha múltipla sobre o autor Miguel Torga, que diz não ter dado durante o ano lectivo, e sobre o texto que abordava o tema da liberdade. Para a aluna, a instabilidade sentida nos últimos meses no seio dos professores em nada afectou o decurso das aulas: "A nossa professora nunca faltou. A nós, as greves dos professores nunca nos afectaram."

Andreia diz-se decidida a frequentar uma Universidade, mas ainda não escolheu o curso. A sua principal preocupação é conseguir emprego: "Estou indecisa entre Psicologia Criminal e Gerontologia. Psicologia sempre foi o que quis, mas provavelmente vou para o desemprego. Em princípio, vou optar por Gerontologia."

Já Marta Quintela lamenta que os exames não tenham em conta os alunos do Ensino Profissional. "Não tive tempo para estudar. Estou no curso profissional de Animação Sócio-Cultural e estes exames foram feitos para o ensino normal. Acabei o estágio há pouco e o tempo para estudar foi muito reduzido. Não vou ter boa nota, não tive bases para o exame", explicou.

Em Évora, após o toque para o fim do exame de Português, as opiniões foram unânimes quanto à facilidade da prova. "Foi fácil, e ainda bem que saiu o ‘Felizmente há Luar!’. Em comparação com o ano passado, era muito mais fácil. Não houve grandes dificuldades", garantiu Olga Melgão, uma das estudantes da Secundária Gabriel Pereira.

ALUNOS ALGARVIOS CONSIDERARAM EXAME FÁCIL

A generalidade dos alunos que realizaram o exame de Português na Escola Secundária João de Deus, em Faro, considerou "muito acessível" a prova. "Julgo que me vou safar. A matéria era muito acessível", afirmou Pedro do Vale, 18 anos, que apenas teve alguma dificuldade na escolha múltipla.

"Apesar do ano conturbado do ensino, que causa sempre alguns problemas, julgo que ultrapassámos isso", afirmou.

PROVA NÃO LEVARÁ A "RESULTADOS CATASTRÓFICOS"

A Associação de Professores de Português (APP) considera que "a prova está de acordo com os conteúdos programáticos", o que irá fazer com que "não se registe os resultados catastróficos e nunca esclarecidos de Junho de 2008".

Segundo a APP, "a prova privilegia acertadamente as competências de leitura literária e, em especial, de produção escrita", uma vez que avalia as competências de leitura e reflexão dos alunos.

TESTEMUNHOS

"NÃO VOU TER BOA NOTA MAS UM 12 ERA ÓPTIMO" (Mariana Rosário, 17 anos, Lisboa)

"O exame não era muito difícil. Ainda assim, tive dificuldades na questão sobre a teoria do fingimento poético de Fernando Pessoa ortónimo. Não vou ter uma boa nota, mas um 12 já era óptimo."

"FOI ACESSÍVEL , COM OS TEMAS MAIS BADALADOS" (Mónica Santos, 18 anos, Guarda)

"Este ano foi acessível, com os temas mais badalados. Em relação ao ano passado facilitaram bastante. Nunca gostei muito de Português, mas fez-se. Estava no curso de Ciências e Tecnologias."

"NÃO ESTUDEI NADA, MAS CORREU MESMO BEM" (Rita Almeida, 17 anos, Porto)

"Não estudei nada, nem sequer peguei no livro, mas correu mesmo bem. A nossa professora preparou-nos muito bem porque fomos fazendo testes muito parecidos com o exame nacional."

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DO MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO (Prova Escrita de Português / 12.º Ano de Escolaridade / Prova 639 / 1.ª Fase)

GRUPO I

A

1.

Cenário de resposta

A resposta deve contemplar os aspectos que a seguir se enunciam, ou outros considerados relevantes.

– Interpretação da mudança: o povo passa do conformismo à revolta.

– Manifestações dessa mudança: o povo quer aprender a ler e começa a exprimir sentimentos de rebeldia e violência, falando «abertamente em guilhotinas» (l. 7), cantando músicas com letras subversivas e colando panfletos revolucionários nas portas das igrejas.

2.

Cenário de resposta

A resposta deve contemplar dois dos sentimentos manifestados por cada uma das personagens, de entre os que a seguir se apresentam, ou outros considerados relevantes.

Sentimentos de D. Miguel:

– desilusão – «Fala como um homem desiludido»;

– impotência – «A polícia não chega para arrancar os pasquins revolucionários das portas das igrejas...» (ll. 10-11);

– desânimo – «O mundo parece estar atacado de loucura, Reverência...» (l. 12).

Sentimentos do principal Sousa:

– ódio – «o ódio que tenho aos Franceses...» (l. 3);

– indignação – «Veja, Sr. D. Miguel, como eles transformaram esta terra de gente pobre mas feliz num antro de revoltados!» (ll. 4-5);

– determinação – «Temos uma missão a cumprir, uma missão sagrada e penosa: a de conservar no jardim do Senhor este pequeno canteiro português.» (ll. 17-19).

3.

Cenário de resposta

A resposta deve contemplar dois dos traços caracterizadores de Beresford, de entre os que a seguir se apresentam, ou outros considerados relevantes, ilustrados, cada um, com uma citação.

– Determinado – «A Europa… Deixai-a, que ela nem se perde nem carece dos vossos conselhos.» (ll. 25-26).

– Pragmático – «não vim aqui para perder tempo com conversas filosóficas.» (ll. 28-29).

– Irónico – «Poupe-me os seus sermões, Reverência. Hoje não é domingo e o meu senhor não é vassalo de Roma.» (ll. 35-36).

– Provocador – «da decisão que tomarmos, dependem a cabeça de V. Exª, Sr. D. Miguel, os meus 16 000$00 anuais e a possibilidade de o principal Sousa continuar a interferir nos negócios deste Reino.» (ll. 51-54).

4.

Cenário de resposta

Dada a natureza deste item – de escolha pessoal –, não se apresenta uma lista exaustiva dos recursos estilísticos presentes no texto; os exemplos que se seguem constituem uma mera orientação de classificação.

– Comparação – «o mundo parece atacado de loucura» (l. 12) – releva a incapacidade de D. Miguel em compreender a alteração do estado de coisas à sua volta.

– Ironia – «Poupe-me os seus sermões, Reverência. Hoje não é domingo e o meu senhor não é vassalo de Roma.» (ll. 35-36) – mostra, através do tom jocoso, a pouca importância que Beresford atribui ao principal Sousa e ao que ele representa.

– Adjectivação – «subversivas» (l. 8) e «revolucionários» (l. 10) – ajuda a caracterizar a mudança comportamental do povo e a entender o ambiente em que se vive.

B

Cenário de resposta

Dada a natureza deste item, não se apresenta um cenário de resposta; a resposta deve incidir nos conteúdos programáticos referentes à leitura literária da poesia do Ortónimo, no que respeita ao «fingimento artístico».

GRUPO II

Neste grupo, deve também ser considerada, para efeitos de classificação, a resposta em que o examinando, embora não respeitando a instrução dada, registe a resposta correcta de forma inequívoca, através de um processo diferente do requerido.

Chave

Versão 1 / Versão 2

1. (A) / (B)

2. (C) / (B)

3. (B) / (A)

4. (A) / (C)

5. (D) / (A)

6. (A) / (C)

7. (C) / (D)

8.

Chave

Coluna A / Coluna B (Versão 1 / Versão 2)

1) e) / d)

2) f) / e)

3) g) / f)

4) a) / h)

5) b) / a)

GRUPO III

Cenário de resposta

Dada a natureza deste item – de resposta aberta extensa –, não é apresentado cenário de resposta.

Factor específico de desvalorização relativo ao desvio dos limites de extensão. Sempre que o examinando não respeite os limites relativos ao número de palavras indicados na instrução do item, deve ser descontado um (1) ponto por cada palavra a mais ou a menos, até ao máximo de cinco (1 x 5) pontos, depois de aplicados todos os critérios definidos para o item (situação representada pela alínea a) na grelha de classificação).

Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2009/). Nos casos em que, da aplicação deste factor de desvalorização, resultar uma classificação inferior a zero pontos, é atribuída à resposta a classificação de zero pontos.

CALENDÁRIO (Ensino Secundário / 1.ª Fase)

17 de Junho

09h00 Biologia e Geologia

09h00 Matemática Aplicada às Ciências Sociais

09h00 História B

14h00 Alemão

14h00 Espanhol

14h00 Francês

14h00 Inglês

18 de Junho

09h00 Desenho A

09h00 Alemão

09h00 Espanhol

09h00 Francês

09h00 Inglês

14h00 Economia A

19 de Junho

09h00 Português Língua não-materna

14h00 Física Química A

14h00 Geografia A

17h00 História da Cultura e das Artes

22 de Junho

09h00 Aplicações Informáticas B

14h00 Geometria Descritiva A

14h00 LatimA

23 de Junho

09h00 Língua Portuguesa

09h00 Matemática B

09h00 Matemática A

14h00 História A

ENSINO BÁSICO (9.º ano)

1.ª CHAMADA

19 de Junho

09h00 Língua Portuguesa

09h00 Português Língua não materna

22 de Junho

09h00 Matemática

2.ª CHAMADA

25 de Junho

09h00 Língua Portuguesa

26 de Junho

09h00 Matemática

13 de Julho

09h00 Língua Portuguesa não-materna

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