Concentraram-se esta sexta-feira junto à sede da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal em Lisboa e pedem melhores condições e salários maiores.
Mais de uma centena de pessoas concentraram-se esta sexta-feira junto à sede da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), em Lisboa, pedindo mais salários e uma maior proteção dos trabalhadores das cantinas.
Em declarações à Lusa, Francisco Figueiredo, da direção nacional da Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT), acusou a AHRESP de recusar negociar o contrato coletivo de trabalho há 20 anos.
"Pretendem retirar os direitos dos trabalhadores, o subsídio noturno, reduzir o trabalho de feriado, impor bancos de horas, horários concentrados, e esta é uma grande resposta dos trabalhadores", disse o dirigente sindical.
Francisco Figueiredo registou que 80% dos 20.000 trabalhadores do setor recebem perto do salário mínimo nacional, depois de 20 anos sem a revisão do contrato coletivo de trabalho.
"Tem havido uma aproximação ao salário mínimo nacional ao longo destes 20 anos, porque, de facto, nós não podemos aceitar a retirada dos poucos direitos que os trabalhadores têm e, por outro lado, a AHRESP tem uma posição radical de impor horários de 12 horas, põe em causa a vida pessoal e familiar e põe em causa o direito à saúde dos trabalhadores", atirou o responsável sindical, que integra o Sindicato de Hotelaria do Norte.
Francisco Figueiredo fez um balanço positivo da greve das cantinas que hoje está decorrer, apontando que há centenas de cantinas encerradas pelo território nacional.
O também dirigente nacional da FESAHT António Baião, do Sindicato da Hotelaria do Centro, referiu que os elementos da federação sindical se dirigiram à sede da AHRESP para serem "o reflexo de milhares de trabalhadores nestes refeitórios".
António Baião foi um dos representantes sindicais que entraram na sede da associação setorial para apresentar uma moção em que pediram aumentos de 150 euros, redução do horário de trabalho para 35 horas semanais, 25 dias de férias, pagamento extra de 25% por trabalho ao fim de semana.
Após uma resistência inicial em receber os representantes, que teve como reação dos manifestantes apupos e vaias, oito delegados entraram na sede da AHRESP, em Lisboa, onde foram ouvidos pela responsável da associação para concessionários de restauração e alimentação coletiva, cantinas, refeitórios, fábricas de refeições, Fátima Portulez, segundo o sindicalista.
A concentração contou ainda com a presença da coordenadora e deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, e da deputada do Partido Comunista Português (PCP) Alma Rivera, tendo-se mostrado solidárias com os trabalhadores representados pelos sindicatos.
"Uma trabalhadora que trabalha há 30 anos na cantina de uma escola, que não tem um contrato efetivo, é contratada por três meses, de setembro a dezembro, depois é despedida, ou o contrato não é aprovado, e depois há um novo contrato em janeiro, nunca consegue um lugar efetivo", criticou Mariana Mortágua.
Para a responsável do BE, as soluções passam pela contratação coletiva, uma vez que "há 20 anos que estes contratos coletivos de trabalho estão completamente bloqueados", e pela aplicação da lei pelo Estado e pelas autarquias, que devem "internalizar estes trabalhadores".
"Se as cantinas precisam sempre de pessoas para as manter, por que é que essas pessoas não são funcionárias do Estado?", questionou Mariana Mortágua.
Também Alma Rivera apelou para a estimulação da contratação coletiva para "conseguir contrariar estas situações que são de exploração".
"Qualquer um de nós a fazer esta exploração fica rico, mas isso não é o caminho que o país tem que seguir, o caminho é a distribuição da riqueza através dos salários", defendeu a deputada comunista.
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