Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
8

Mais de vinte mil médicos em greve

Vinte e dois mil médicos, cerca de 80 por cento do total, devem aderir hoje à greve geral, de acordo com as estimativas dos sindicatos. Milhares de consultas e cirurgias programadas vão ter de ser adiadas, afectando serviços hospitalares e centros de saúde de todo o País.
24 de Novembro de 2010 às 00:30
Intervenções cirúrgicas têm de ser adiadas
Intervenções cirúrgicas têm de ser adiadas FOTO: Pedro Catarino

Uma greve no sector da Saúde causa particular transtorno aos doentes. Muitos têm de percorrer vários quilómetros para chegar ao hospital sem saber se têm consulta ou se há profissionais em número suficiente para fazer uma operação. Basta faltar um elemento para que esta não se realize. E a confusão não se faz sentir apenas na Saúde.

A forte adesão dos trabalhadores à greve geral é a expectativa das duas centrais sindicais CGTP e UGT, unidas pela primeira vez desde há 22 anos, e afecta também os serviços de Transportes, Educação e Justiça. O primeiro--ministro José Sócrates admite recorrer à requisição civil se os sindicatos não garantirem os serviços mínimos nos transportes.

Em quase todas as áreas, apenas hoje se saberá qual a verdadeira dimensão do protesto, mas a adesão poderá ser significativa, sobretudo na área da Saúde.

Sérgio Esperança, da Federação Nacional dos Médicos, diz que o desagrado dos clínicos é "muito grande". Os mesmos motivos já levaram, afirma, 556 médicos a pedir a reforma este ano. Muitos deles, adianta ainda o sindicalista, vão ter cortes salariais de 3,5 por cento a partir de Janeiro.

O descontentamento na área da Saúde atinge também os enfermeiros. Pedro Frias, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, espera uma "forte adesão à greve", com a mobilização de cerca de 50 por cento dos 36 mil enfermeiros existentes nos hospitais e nos centros de saúde.

O sindicalista justifica a greve com "o despedimento, em 2011, de 900 enfermeiros e com a discriminação na grelha salarial em comparação com outros licenciados em funções públicas".

José Loureiro, do Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica, admite "adesões de 100 por cento nas unidades sem Urgência. Se não houvesse esta greve, iríamos promover uma do sector", afirma.

PROCURADORES PARAM TRIBUNAIS

O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público prevê uma adesão à greve por parte dos procuradores na ordem dos 90 por cento. Apesar de os juízes não terem aderido ao protesto, a ausência de magistrados e funcionários irá impedir a realização de julgamentos. Apenas os serviços urgentes (casos que envolvam a libertação de arguidos, menores em risco ou providências ao abrigo da Lei de Saúde Mental) serão assegurados. Nas varas criminais de Lisboa, só um procurador informou que não fará greve.

EMEL SEM FISCALIZAÇÃO

A adesão à greve por parte dos trabalhadores da EMEL será elevada, sendo pouco provável que se encontre um fiscal de estacionamentos hoje em Lisboa.

"Vamos ter uma grande adesão, especialmente do pessoal de fiscalização", garantiu Ana Pires, funcionária da EMEL e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, acrescentando: "Se as pessoas vierem para Lisboa, espero que não encontrem um único trabalhador da EMEL."

AEROPORTOS SÓ COM SERVIÇOS MÍNIMOS

Apenas os voos militares, de Estado ou de emergência médica vão levantar ou aterrar nos aeroportos portugueses, consequência da greve geral que já cancelou mais de 550 ligações. Os serviços mínimos, de acordo com fonte da ANA - Aeroportos de Portugal, prevêem apenas a realização de uma ligação para os Açores, outra para a Madeira e uma entre os arquipélagos.

Segundo Delfino Navalha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML), "os bombeiros sapadores do aeroporto têm indicações para só prestar apoio aos voos militares, de Estado e de emergência médica". O arranque da paralisação começou ontem às 20h00, com um protesto dos bombeiros junto à zona das chegadas do aeroporto da Portela. Para hoje, a ANA tinha prevista a realização de 553 voos, dos quais 374 em Lisboa, 141 no Porto e 38 em Faro. A paralisação dos voos nos aeroportos portugueses fica também a dever-se à adesão de controladores aéreos e outros funcionários da estrutura dos aeroportos. A NAV - Navegação Aérea de Portugal espera um impacto da greve na ordem dos 98 por cento nos voos de e para Portugal.

GREVE MÉDICOS TRANSPORTES VOOS EMEL TRIBUNAIS
Ver comentários