Margarida e Luísa têm agora um mês, mas já foram submetidas a uma intervenção cirúrgica. As duas meninas, que nasceram com atrésia esofágica, uma malformação congénita que as impedia de se alimentarem de forma natural, foram operadas no hospital de Braga, através de uma técnica inovadora. A cirurgia, minimamente invasiva, é feita com recurso a uma câmara e a instrumentos adaptados ao tamanho do bebé. Graças à aplicação desta técnica cirúrgica, que em Portugal só é usada no hospital de Braga, as duas meninas não terão qualquer marca da operação. <br/><br/>
A atrésia esofágica, uma malformação que se caracteriza por um defeito na formação do esófago, que não está devidamente ligado à boca e ao estômago, afecta, em média, um recém--nascido por mês. A malformação, que quase nunca é detectada antes do nascimento, faz com que o bebé não consiga alimentar-se de modo natural, vomitando em seguida.
"A intervenção consiste em corrigir este defeito, ou seja, ligar o esófago", explicou ao Correio da Manhã o médico Jorge Correia Pinto, director do serviço de Cirurgia Pediátrica do hospital de Braga e responsável da equipa que desenvolveu esta intervenção.
Para solucionar o problema, os outros hospitais recorrem à cirurgia pediátrica por toracotomia, ou seja, abrindo o tórax do recém-nascido. Em Braga, a abordagem é minimamente invasiva. "Conseguimos entrar com uma câmara e com instrumentos pequenos, devidamente apropriados ao tamanho do recém--nascido e corrigimos o defeito, sem deixar sequelas", descreve Jorge Correia Pinto.
Através desta técnica, que esta equipa usa há quase dois anos, já foram intervencionadas doze crianças de toda a região Norte.
A utilização deste método reduz para metade o tempo de recuperação. "A cirurgia é menos traumática, há menor perda de sangue, logo a recuperação é mais rápida."
O MEU CASO: LUÍSA BARBOSA
"TUDO O QUE A LUÍSA MAMAVA DEITAVA FORA"
As primeiras horas de vida da pequena Luísa foram de grande aflição para os pais Denise Silva e Paulo Barbosa. "Tudo o que a Luísa mamava deitava fora. Percebemos logo que alguma coisa não estava bem", conta a mãe. A equipa médica que acompanhava a criança tentou então colocar uma sonda para alimentar a bebé. "Como a sonda não passava, foi feito um raio-X e chegou-se à conclusão de que a Luísa sofria de uma malformação no esófago."
Luísa nasceu no dia 22 de Setembro, no hospital de Braga, com 35 semanas. Dois dias depois, foi operada pelo director do serviço de Cirurgia Pediátrica do hospital de Braga, Jorge Correia Pinto.
"Ficámos muito apreensivos porque ela estava bastante agitada, antes da operação, mas depois de ser intervencionada acalmou. Agora está tudo bem." Cinco dias após a cirurgia, a bebé, a primeira filha do casal Denise, de 30 anos, e Paulo, de 36, residentes em Braga, começou a ingerir leite. "Reagiu muito bem ao leite e logo no primeiro dia conseguiu progredir para o máximo que pode tomar", contou a mãe, já aliviada. "Agora é só acabar de cicatrizar as três incisões que foram feitas, e podemos levar a Luísa para casa, já sem marcas", concluiu.
PERFIL
Luísa Barbosa, filha de Denise Silva, 30 anos, e Paulo Barbosa, 36, nasceu com 35 semanas no hospital de Braga, com atrésia do esófago. Foi operada ao segundo dia de vida.
DISCURSO DIRECTO
"FICAM SEM MARCA DA SUA DOENÇA", Jorge C. Pinto, Dir. Cirurgia Pediátrica Hosp. Braga
Correio da Manhã – Qual é a principal vantagem desta técnica?
Jorge Correia Pinto – Por ser uma abordagem minimamente invasiva, não deixamos marca ou qualquer lembrança da própria doença. Com esta abordagem, fazemos a operação com o mesmo grau de eficácia.
– O diagnóstico pré-natal não é possível?
– A utilização desta técnica é um grande avanço na cirurgia neonatal, depois de termos conseguido a sobrevivência destes bebés, nos anos 80. É um investimento no seu futuro.
– Esta técnica é usada para corrigir outras malformações, além da do esófago?
– Muitas das malformações complexas que vemos hoje nos recém-nascidos também são passíveis de uma intervenção desta natureza.
CONSULTÓRIO CM: OTORRINO
DIAGNÓSTICO DOS PROBLEMAS DEVE SER FEITO CEDO, Por Dr. Carlos Ribeiro
Há cerca de um mês, sofri uma queda que me afectou o nariz. Na altura, não dei muita importância, mas desde então tenho tido dificuldade em respirar. Posso ter afectado o septo nasal? , Ana Carolino, Lagos
Os traumatismos do nariz são frequentes, dado a importância que o nariz apresenta no contexto da face. Muitas vezes surge sangramento nasal – epistaxis – quase sempre autolimitado. Se o nariz permanece alinhado, e a respiração nasal é boa, não é acidente grave. No entanto, se há desvio da pirâmide ou má respiração nasal ou perda de olfacto, deverá ser consultado um otorrino, pois é provável que exista lesão do septo nasal: fractura, desvio ou hematoma. Esta última situação necessita de tratamento cirúrgico urgente.
Tenho ouvido zumbidos no ouvido direito. Fiz uma pesquisa na internet e fiquei preocupado. Posso ficar surdo?, Rui Miguel, Moita
O zumbido é um sintoma de que algo não está bem com o ouvido ou vias auditivas e deve motivar uma avaliação cuidadosa. Poderá tratar-se apenas de excesso de cerúmen ou inflamação no canal auditivo externo, mas poderá também corresponder a lesões do ouvido interno, ou inclusive intracranianas. A situação é mais preocupante se associada a desequilíbrio. Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico, maiores são as possibilidade de ajudar o paciente. O zumbido também poderá ser desencadeado ou amplificado por factores emocionais, nomeadamente o stress.
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