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Correio da Manhã

Sociedade

Marquesa impedia abusos

O ginecologista acusado de abusos sexuais a pacientes diz ser "tecnicamente impossível" conseguir chegar com o pénis à vagina das queixosas, devido à posição e altura da marquesa.

27 de Outubro de 2008 às 00:30
Clínico mostrou marquesa onde as mulheres dizem ter sido abusadas
Clínico mostrou marquesa onde as mulheres dizem ter sido abusadas FOTO: Sandra Sousa Santos

O médico, condenado pelo Tribunal de Faro a três anos de prisão suspensa, por dois crimes de abuso sexual a pacientes, continua a dar consultas no Hospital de Faro e numa clínica privada.

Ao CM, acompanhado pelos advogados Vítor e Elisabete Romão, exemplificou como são as consultas, na clínica onde as vítimas dizem ter sido abusadas, e as dificuldades de os factos de que é acusado terem acontecido. "Tecnicamente, o toque com o pénis é impossível", assegurou.

"Uso um aparelho para visualizar os órgãos genitais e é preciso estar sentado e com os olhos à altura da vagina da pessoa deitada, com a marquesa na altura máxima". Segundo o clínico, "se as pacientes nunca disseram que a marquesa baixou, está demonstrado que eu não fiz aquilo de que sou acusado".

Se estiver de pé, o nível do seu órgão sexual pode estar à altura da vagina das pacientes, mas, mesmo nesta posição, diz não ser possível tocar com pénis devido à distância. "Para chegar à vagina das senhoras são mais de 25 cm, porque existe uma bandeja para os líquidos à frente. É preciso ter um pénis grande para conseguir chegar lá", justifica o ginecologista. O advogado, Vítor Romão, questiona: "A acta diz que a marquesa tem 69 centímetros até aos órgãos genitais, mas o juiz considera provado que a altura é de 85 cm. Então há duas medidas?"

Após a notícia do CM, outras queixas de mulheres, que nunca chegaram a tribunal, começaram a surgir. Uma das alegadas vítimas acusou o ginecologista de a ter analisado com as mãos de "um homem e não de um médico" e declarou que este lhe disse que tinha "uma coisa bonita" e lhe mexeu no clítoris "de forma estranha".

PORMENORES

CONSULTAS TERMINADAS

Ao que o CM apurou, o ginecologista comunicou às instituições onde dá consultas gratuitas (Universidade do Algarve e UNIR) que vai deixar de prestar os serviços voluntários.

LUVA SÓ NUMA MÃO

O médico diz usar luvas, mas muitas vezes "só na mão que mexe nos órgãos genitais". Diz ter uma assistente nas consultas, mas "muitas vezes as pessoas têm vergonha de falar de problemas íntimos frente a terceiros".

MAIS QUEIXAS

Uma mulher, após a notícia do CM, acusou o ginecologista de a ter analisado como homem e não como médico. O clínico diz não conhecer a mulher. "Não toco nas pacientes "como um homem. O ambiente é sempre profissional".

MARQUESA TROCADA

Nas alegações feitas ao recurso da Defesa, o Ministério Público coloca a hipótese de a marquesa poder ter sido trocada.

 

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