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Correio da Manhã

Sociedade
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Médico trava cartas

O presidente do Conselho de Administração da Unidade de Saúde Local da Guarda (USLG) vai ser julgado por um crime de violação de correspondência por ter retido 17 cartas das quais constava um abaixo-assinado contra o fecho de maternidades na Beira Interior, subscrito por 56 médicos. O julgamento começa dia 9 de Junho.
20 de Abril de 2011 às 00:30
Julgamento de Fernando Girão, presidente da Unidade de Saúde Local da Guarda, começa a 9 de Junho
Julgamento de Fernando Girão, presidente da Unidade de Saúde Local da Guarda, começa a 9 de Junho FOTO: José Paiva

O caso remonta a Agosto de 2009, numa altura em que a actualidade era dominada pela intenção do Governo de fechar várias maternidades, sobretudo no Interior.

No sentido de sensibilizar o poder político e a sociedade, os 56 médicos do Hospital da Guarda assinaram um documento no qual enumeraram as vantagens em manter abertas aquelas valências clínicas.

Os problemas começaram quando a direcção hospitalar descobriu que o abaixo-assinado foi feito em folhas timbradas do hospital. Segundo explica o médico António Godinho, um dos signatários, a carta "dirigida ao primeiro-ministro" seguiu pelos CTT, mas no dia seguinte tentaram enviá-la para 18 entidades e "não saíram dos serviços administrativos".

Um dos destinatários foi o próprio Fernando Girão, enquanto presidente da USLG. Assim, o Ministério Público acusa Fernando Girão de "ao tomar conhecimento do teor da carta que lhe era dirigida, assumindo o carácter semelhante das restantes e tendo-lhe sido entregues também as restantes [17] por um funcionário, manteve em seu poder as restantes cartas e não as entregou de novo aos serviços administrativos a fim de serem expedidas, como não o foram", lê-se na acusação a que o CM teve ontem acesso. O arguido pediu a abertura da instrução, mas acabou por ser pronunciado.

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