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Correio da Manhã

Sociedade
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Médicos alertam para má formação dos internos

Bastonário dos médicos teme diminuição da capacidade formativa nos hospitais.
29 de Setembro de 2013 às 01:00
Os jovens internos não fazem as cirurgias necessárias à formação
Os jovens internos não fazem as cirurgias necessárias à formação FOTO: Rafaela Cadilhe

A qualidade da formação dos jovens médicos, que estão a fazer o internato da especialidade, tende a baixar e a comprometer a qualidade da assistência futura aos doentes, alerta a Ordem dos Médicos.

José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos, explica ao CM que este problema se "deve ao fecho e à concentração de serviços hospitalares, diminuição de camas e redução do financiamento aos hospitais". Acresce a saída para a aposentação dos médicos seniores mais graduados que dão a formação.

Estes fatores levam a que nem todos os internos tenham oportunidade para fazer os atos médicos necessários à formação, por forma a cumprir os critérios dos Colégios da Especialidade da Ordem dos Médicos.

Ao que o CM apurou, o excesso de internos nos serviços faz com que cada um realize um número reduzido de atos médicos. Em 2 anos, um interno de cirurgia geral devia fazer duas mil cirurgias, mas só faz 800. Internos de Ortopedia fazem uma média de 10 cirurgias à anca em vez de 60.

O problema tende a agravar ainda mais com a falta de vagas para todos os internos. Estima-se que, a partir de janeiro de 2014, 350 dos 1800 jovens internos não tenham vaga, pois o sistema não comporta mais.

José Manuel Silva acusa o "Serviço Nacional de Saúde de reduzir os espaços formativos" e aponta o dedo ao número de vagas nas faculdades de Medicina, que considera elevado. "Com os licenciados que saem todos os anos das faculdades, teremos em 2025 seis mil a nove mil médicos no desemprego", afirma o bastonário. As vagas em Medicina para o curso de 2013/2014 são 1518, ou seja, menos 23 do que em 2012.

Roque da Runha, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, afirma ao Correio da Manhã que houve uma "irresponsabilidade" dos governos nas últimas décadas ao não fazerem um planeamento das necessidades de recursos na saúde. Não foi possível obter um esclarecimento da tutela.

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