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Correio da Manhã

Sociedade

Médicos alertam para problemas­ no Hospital de Portalegre

Profissionais alertam para doentes "amontoados" no serviço de urgências.
31 de Outubro de 2016 às 16:50
O Hospital Distrital de Portalegre
O Hospital Distrital de Portalegre FOTO: Pedro Galego
A Ordem dos Médicos denunciou esta segunda-feira que há casos de doentes "amontoados" no serviço de urgências do hospital de Portalegre, alertando ainda para o bloco operatório, que "não tem um funcionamento normal", mas a administração refuta as acusações.

Em declarações à agência Lusa, o representante da Ordem dos Médicos (OM) em Portalegre, Jaime Azedo, explicou que todos os serviços cirúrgicos são "afetados" pela "falta de resposta" do bloco operatório, especialmente o serviço de ortopedia, uma vez que "faltam" anestesiologistas, enfermeiros e assistentes operacionais.

De acordo com o representante da OM, a diretora do serviço de cirurgia tem vindo "desde há longo tempo" a "avisar" a administração de que, ao não terem acesso ao bloco, "os doentes se acumulariam" e seriam "excedidos" os tempos de espera "aceitáveis" para a realização das cirurgias.

Esta situação, segundo Jaime Azedo, foi "transformando" o Hospital de Portalegre num "grande centro de angariação" de doentes cirúrgicos que, depois, acabam por ser operados noutros hospitais públicos ou privados.

Em nota enviada à agência Lusa, a administração da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA) começa por explicar que o serviço de cirurgia geral conta com um mapa de pessoal de "17 médicos", quando se "encontram previstos 14".

Quanto aos médicos da especialidade de anestesiologia e ortopedia, a ULSNA reconhece que "existe carência" de recursos humanos, sublinhando ainda que, no hospital, "não há qualquer movimento anormal" de transferência de doentes para outras unidades hospitalares.

"O suprimento da insuficiência de colaboradores tem sido feita através do recurso a prestadores de serviço que, no caso da especialidade de anestesiologia, conferindo a planificação do bloco operatório e as salas em funcionamento, quer para cirurgia programada, quer para cirurgia de urgência têm sido sempre e plenamente assegurada", lê-se na nota.

Perante este cenário, o representante da OM em Portalegre lamenta que "grande parte" das necessidades de anestesiologia sejam supridas "através de 'outsourcing'".

"Mesmo que os outros hospitais não praticassem preços/hora superiores, como inexplicavelmente acontece, o Hospital de Portalegre nunca seria atrativo para esses profissionais [envolvidos em empresas 'outsourcing'], dadas as dificuldades da sua deslocação", lamentou.

No que diz respeito à alegada carência de enfermeiros, a ULSNA assegura que se encontra "garantida" a capacidade de resposta para "todas as situações" de natureza assistencial dos serviços e departamentos, acrescentando que estão a "encetar deligências" para "reforçar" o número de profissionais nesta área.

Ainda sobre a atividade do bloco operatório, na vertente de cirurgias programadas, a ULSNA refere que "apenas" a especialidade de cirurgia geral e ortopedia apresentam uma "diminuição", relativamente ao ano de 2015, mas, face ao contratualizado para este ano, acreditam que a produção cirúrgica "possa cumprir" o objetivo definido pela tutela.

O representante da OM alertou ainda que o hospital vive diariamente com o "eterno problema dos doentes amontoados" no serviço de urgência, indicando que a maioria dos pacientes "depositados" naquele serviço são da "responsabilidade" do serviço de medicina interna.

"Este é um problema antigo e que não se resolveu, como vaticinámos, com as obras feitas, recentemente, no serviço de urgência e tem, pelo contrário, a sua resolução dependente do normal funcionamento do serviço de medicina interna", disse.

A administração da ULSNA esclarece que o movimento no serviço de urgências do hospital "tem sofrido um ligeiro decréscimo" este ano, em relação ao anterior, sublinhando ainda que tem sido "cumprido" o objetivo nacional de permitir "maior acesso" dos cidadãos aos serviços de saúde.

"Como o nosso compromisso é sempre melhorar em prol da satisfação dos nossos utentes, o serviço é constantemente auditado em termos de governação clínica, não só devido aos fluxos originados por patologias sazonais enquadradas quer nas estratégias regionais, quer nacionais de combate as pendemias, como também em situações originadas pelo seu funcionamento do dia-a-dia", lê-se no documento.
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