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Correio da Manhã

Sociedade
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Médicos: Cortes nas horas extraordinárias são “gravosos”

O presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), Sérgio Esperança, considerou esta segunda-feira que os anunciados cortes nas horas extraordinárias traduzem-se em medidas "gravosas" e "expressamente dirigidas aos médicos".
26 de Dezembro de 2011 às 19:18
Sindicato esteve reunido com ministro de Saúde, Paulo Macedo
Sindicato esteve reunido com ministro de Saúde, Paulo Macedo FOTO: Arménio Belo/Lusa

No final de uma reunião com o ministro da Saúde e os dois secretários de estado, representantes da FNAM recusaram-se a comentar a anunciada greve proposta pela outra estrutura sindical, o Sindicado Independente dos Médicos (SIM).  

Em declarações aos jornalistas, Sérgio Esperança explicou que as razões que levaram a federação ao Ministério foram diferentes das do SIM, que durante a manhã de hoje esteve reunida com o ministro Paulo Macedo para discutir a decisão da tutela de baixar o valor de pagamento do trabalho suplementar. 

Sublinhando que a reunião com a FNAM estava agendada desde 28 de Outubro, Sérgio Esperança explicou que o encontro serviu para debater assuntos antigos que são a "preocupação prioritária" da federação: a negociação dos acordos colectivos de trabalho e a sua implementação, as grelhas salariais e a implementação das 40 horas de trabalho.  

Com a promessa de regressar em Janeiro ao Ministério para uma nova reunião, os representantes do FNAM esperam então discutir os anunciados cortes nas horas extraordinárias até porque, lembrou Sérgio Esperança, essa medida significa "uma redução efectiva dos montantes até agora auferidos".  

Apesar de reconhecer que "todos os trabalhadores têm sido atingidos nas suas remunerações", o sindicalista considera que no caso dos médicos existem situações "um pouco mais gravosas e dirigidas ao sector".  

Entre as medidas "expressamente dirigidas aos médicos", o presidente da FNAM lembrou as horas extraordinárias, o funcionamento e pagamento nas unidades familiares e as equipas médicas na urgência. Sérgio Esperança lembrou ainda o "preocupante" fenómeno da saída de médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e recorda que esta é uma situação que se poderá agravar com as reduções salariais.

Lembrando que entre 2010 e 2011 se aposentaram cerca de 1600 médicos, a FNAM recorda que "o Ministério e o Governo têm de discutir e acordar com um pagamento justo para as 40 horas, porque senão a questão (menos médicos) vai ser cada vez mais objectiva porque os valores remuneratórios que estão a ser oferecidos em alguns casos vão provocar a carência de especialidades".

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