Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
1

Médicos da gripe sem vacina

Os médicos, enfermeiros, auxiliares e administrativos em contacto directo com os doentes suspeitos ou diagnosticados com gripe A só começaram ontem a ser vacinados, dez dias após o início da campanha de vacinação. Os sindicatos do sector acusam o Ministério da Saúde e a Direcção-Geral da Saúde de falhar nas prioridades, ao terem incluido os políticos, por exemplo, e não os profissionais que lidam directamente com os doentes suspeitos.
7 de Novembro de 2009 às 00:30
Profissionais que atendem casos suspeitos ainda estão por vacinar
Profissionais que atendem casos suspeitos ainda estão por vacinar FOTO: Kenny Crookston/ EPA

Mário Jorge, da Federação Nacional dos Médicos critica: “Todos os profissionais nas Urgências que lidam com os casos suspeitos e os bombeiros que fazem o transporte dos doentes deviam ser os primeiros a vacinar”. O responsable acrescenta que os deputados, por não terem risco de contágio por contacto directo com os doentes infectados, “deviam recusar a vacina”.

Mário Jorge critica ainda a Direcção-Geral de Saúde por não ter divulgado a fundamentação para os critérios de prioridade que estabeleceu para o plano da vacinação. “Desconheço quais foram, porque nunca foram divulgados”. Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, considera que “os políticos não deviam ser prioritários, é uma opção incompreensível”. A dirigente considera que, por esta altura, “já deviam estar todos vacinados para que, quando chegasse o período crítico da onda pandémica, que ocorrerá até Dezembro, já toda a gente estivesse imunizada”

O dirigente do Sindicato Independente dos Médicos, Carlos Santos, defende que “idealmente, todos os profissionais deviam ser vacinados”. Ontem, por exemplo, começaram a ser vacinados alguns dos 500 profissionais de Saúde do Agrupamento dos Centros de Saúde de Lisboa Norte – Sete Rios, Benfica, Alvalade e Lumiar. O processo deverá estar concluído a meio da próxima semana.

Fonte do Ministério da Saúde afirmou ao CM que os critérios de prioridades da vacinação foram decididas “por um grupo de peritos, incluindo virologistas, infecciologistas, pneumologistas e outros, com o acordo da Direcção-Geral da Saúde e dos seus dois responsáveis, Francisco George e Graça Freitas, com o aval da ministra da Saúde, Ana Jorge”. O Ministério continua sem especificar quantos portugueses já foram vacinados.

Outro dos problemas relatados pelos clínicos está relacionado com os sistemas de informação dos centros de saúde. Mário Jorge Rego, da Associação dos Médicos de Saúde Pública, diz ter “sido muito difícil encontrar as grávidas a vacinar, porque os sistemas informáticos têm falhas e não comunicam entre si”. E deu um ejemplo: “foi muito difícil encontrar as grávidas a vacinar porque muitas mulheres dão outra morada para serem assistidas na maternidade que pretendem e pode ser noutra cidade”.

O responsável considerou ainda que a quantidade de vacinas que o País recebe “é muito pequena, claramente insuficiente para as necessidades”.

GRIPE VISTA À LUPA

6071

pessoas morreram em todo o Mundo com gripe A desde o início da epidemia, em Abril, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

MAIS DUAS VACINAS

Está previsto chegarem ao mercado, em Dezembro, mais duas vacinas produzidas por um fabricante romeno e pela multinacional Sanofi-Pasteur.

"O SURTO DE GRIPE NO BARREIRO ATINGIU 229 PESSOAS NOS ÚLTIMOS QUINZE DIAS, A MAIOR PARTE CRIANÇAS", Mário Durval, Delegado de Saúde do Barreiro

  

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)