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Correio da Manhã

Sociedade

Médicos inventam doenças para burlar pacientes

Afonso Inácio, ex-diretor do Centro de Saúde de Barcelos, era o líder do esquema.
Liliana Rodrigues 31 de Maio de 2018 às 01:30
Tribunal de Braga
Tribunal de Braga FOTO: Eduardo Martins
Três médicos estão a ser julgados pelo tribunal de Braga por burla tributária e atestado falso. O esquema durou entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009, e a investigação apurou pelo menos doze casos em que os arguidos forjaram documentos para conseguir obter pensões de invalidez para utentes de quem nunca foram médicos.

Chegaram a atestar doença de Alzheimer a um homem que nunca tinham consultado e a anexar radiografias que não eram dos utentes. Ganharam 39 mil euros.

Afonso Inácio - médico que foi diretor do centro de saúde de Barcelos e é arguido em outros processos por extorsão - era o ‘líder’ do trio que, segundo o Ministério Público, "eram conhecidos por arranjarem reformas". Cobrava em média 100 euros, sem recibo, aos candidatos a receberem a reforma por invalidez. Depois, quando a pensão era atribuída, cada utente pagava mil euros.

O ortopedista José Martins Pereira e o clínico Mário Vianna Pereira - elemento destacado do PS de Ponte da Barca - agiam em conluio com Afonso Inácio: participavam nas reuniões de recurso onde eram apresentadas declarações médicas forjadas para permitir sustentar os pedidos de invalidez.

Afonso Inácio forjou vários atestados colocando a assinatura de médicos que já não exerciam nos hospitais cujos documentos oficiais utilizou.
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