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Correio da Manhã

Sociedade
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Médicos julgados por morte de idosa

Dois médicos do Hospital de Santo António, no Porto, vão sentar-se no banco dos réus. Em causa está a morte de uma mulher de 81 anos no dia 21 de Junho de 2008, seis dias após ter tido alta daquela unidade de saúde. O Ministério Público considera que Rodolfo Gugelmeier, de 51 anos, e Inês Bessa, de 30 anos, foram negligentes, e acusa-os de ofensas à integridade física, cometidas por meio de tratamento médico-cirúrgico.
7 de Outubro de 2011 às 01:00
Os dois médicos que deram alta a Maria Adelaide atenderam-na no Hospital de Santo António, onde morreu dias depois
Os dois médicos que deram alta a Maria Adelaide atenderam-na no Hospital de Santo António, onde morreu dias depois FOTO: direitos reservados

O caso ocorreu a 15 de Junho de 2008. Maria Adelaide Jesus, que sofria de osteoporose, caiu nas escadas do centro comercial Plaza, no Porto, e foi transportada para o Hospital de Santo António, onde foi assistida de imediato por dois médicos, que concluíram que a idosa tinha várias fracturas nas costelas e na clavícula direita. A vítima apresentava ainda alterações a nível do coração, e os clínicos consideraram que devia continuar internada.

Já de madrugada, a idosa foi novamente observada, desta vez pela médica Inês Bessa e pelo ortopedista Rodolfo Gugelmeier, que reavaliaram a situação da vítima e consideraram que aquela não necessitava de mais cuidados médicos. Deram-lhe alta. Seis dias depois, a mulher deu entrada no hospital e faleceu.

O Ministério Público diz que os arguidos não deviam ter dado alta à idosa. "Com o seu comportamento, os arguidos colocaram em perigo a vida da vítima", diz a acusação. O Ministério Público salienta ainda que os dois médicos do Hospital de Santo António deveriam ter a noção de que o facto de a vítima sofrer de osteoporose iria agravar as lesões.

Um parecer do Conselho Médico--Legal refere também que os procedimentos dos dois clínicos não foram os adequados. "As fracturas que a vítima apresentava deviam fazer prever uma evolução difícil, merecedora de internamento. As radiografias não foram devidamente valorizadas", lê-se no parecer.

"NÃO PREVIRAM UM RISCO QUE ERA PREVISÍVEL"

Na acusação do Ministério Público, o procurador diz que, embora os arguidos não tenham realizado nenhum procedimento errado, cometeram uma falta ao não "preverem um risco que era previsível". O procurador

diz ainda que os dois médicos devem ser responsabilizados por não terem actuado com o zelo, o cuidado e a cautela exigíveis, causando por isso dano

à vítima. O MP salienta também que um médico, mais do que qualquer outro profissional, deve ser responsável.

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