ULS Cova da Beira foi a primeira a disponibilizar os dispositivos aos utentes, no ano passado.
Nove Unidades Locais de Saúde (ULS) do País vão poder prescrever a partir da próxima segunda-feira dispositivos, como tablets, para ajudar os utentes a fazer fisioterapia em casa com recurso à inteligência artificial, foi esta quinta-feira anunciado.
"Não é o utente que vai ao centro clínico é o centro clínico que vai ao utente", disse o presidente e fundador da empresa de cuidados médicos com IA "Sword Health" internacional, Virgílio Bento.
O responsável falava, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, durante a cerimónia de assinatura dos protocolos para a disponibilização destes dispositivos na ULS Santa Maria, ULS Algarve, ULS Alto Ave, ULS Baixo Mondego, ULS Cova da Beira, ULS Matosinhos, ULS São João, ULS Almada Seixal e a ULS São José.
Este modelo da empresa portuguesa "Sword Health", que poderá expandir-se a outras ULS se requisitarem a tecnologia, consiste num tablet fisioterapeuta que dá indicações aos utentes sobre como fazer a sua reabilitação musculoesquelética, recorrendo à inteligência artificial.
A fisioterapia musculoesquelética foca-se no tratamento de disfunções ou doenças dos sistemas musculares, articulares, ósseos e tendinosos (tendões).
Caso exista algum erro ou uma falha é possível através do dispositivo contactar uma equipa clínica que está sempre disponível para intervir, segundo Virgílio Bento.
O responsável disse que o tablet é disponibilizado aos utentes através de uma prescrição médica e que chega "bastante rápido" a casa do utente, frisando que há certas questões que continuam a ser tratadas presencialmente pelos médicos.
Virgílio Bento estima que, com esta tecnologia, as listas de espera para consultas de fisioterapia no Serviço Nacional de Saúde (SNS) possam reduzir em 97% e consigam uma poupança de 45%.
A ULS Cova da Beira foi a primeira a disponibilizar os dispositivos aos utentes, no ano passado.
"Foi possível reduzir significativamente o número de utentes com estas condições em lista de espera ", declarou o presidente do conselho de administração da ULS Cova da Beira, João Marques Gomes.
De acordo com João Marques, o tempo médio de espera para o início da fisioterapia nesta ULS passou de dois anos para 10 dias após a referenciação hospitalar.
A paciente Maria Teresa que ainda utiliza o dispositivo disse que conseguiu retomar todas as suas rotinas, indicando que desde o primeiro dia de contacto com o tablet que a "simplicidade [do dispositivo] é extraordinária".
A parceria entre o SNS e a empresa é possível, após um decreto que entrou em vigor em fevereiro sobre novas convenções de âmbito nacional, para a prestação de cuidados de medicina física e de reabilitação, através de telerreabilitação, com recurso a dispositivo médico certificado e plataforma tecnológica, destinados à recuperação funcional dos utentes.
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, presente no evento, disse que a inteligência artificial não será a solução para todos os problemas, mas vai contribuir para uma maior acessibilidade a cuidados de saúde no País.
Já o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, após ser questionado pelos jornalistas no final do evento sobre o motivo pela qual o novo centro de dados do SNS, previsto para entrar em funcionamento em 2023, ainda estar inativo, respondeu que "o centro de dados tem desafios do ponto de vista tecnológico que são relevantes".
Fonte dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) anunciou na terça-feira à Lusa que o SNS vai dispor de um novo centro de dados até final deste ano, que vai assegurar, a partir de Évora, uma redundância em tempo real com o `data center´ que funciona atualmente no Porto.
No entanto, no final de 2022, o presidente dos SPMS já tinha anunciado que os servidores do'data center' de Évora seriam instalados até ao final do primeiro trimestre de 2023, funcionando a redundância a partir dos meses seguintes.
"O novo centro de dados vai permitir redundância em tempo real. Se houver uma falha num centro de dados, o outro iniciará o funcionamento imediatamente", adiantou a fonte dos SPMS, entidade que gere todos os sistemas de informação e infraestruturas tecnológicas do SNS
Na passada sexta-feira, uma falha de energia causou perturbações no acesso a serviços e sistemas de informação do SNS, que foram sendo progressivamente repostos, mas alguns constrangimentos temporários continuaram a verificar-se nos dias seguintes.
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