Entre 8 e 10 de maio vão ser servidos 1.200 quilos de favas no já tradicional festival de Meirinhas, a edição com a maior safra de sempre.
"Mandar a tempestade Kristin à fava" é o mote para a edição deste ano do Festival da Fava de Meirinhas, no concelho de Pombal, distrito de Leiria, que vai homenagear quem mais ajudou a freguesia a recuperar da calamidade.
Entre 8 e 10 de maio vão ser servidos 1.200 quilos de favas no já tradicional festival de Meirinhas, a edição com a maior safra de sempre, contou à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia, João Pimpão.
"É um ano espetacular para as favas. A colheita está a correr muito, muito bem. As favas estão a dar mais do que é habitual. É a melhor colheita de sempre e acho que também é um sinal que o planeta nos está a dar depois do que passámos", disse.
Neste festival, tudo tem início em novembro do ano anterior, com a plantação das leguminosas, por parte da comunidade.
"Agora, estamos a colher as favas. Esta semana vamos debulhar as favas e para o fim de semana que vem todas as associações da freguesia organizam, em conjunto, o Festival da Fava".
Na tarefa de preparação das leguminosas participam, explicou João Pimpão, "nas horas livres", alunos do Centro Escolar de Meirinhas, e "a rapaziada do Centro Social do Lar da Felicidade também vai debulhar favas. Isto é uma questão que une toda a comunidade, desde o mais velho ao mais novo. É um evento 100% colaborativo".
Mas esta edição será especial, porque "se conseguiu fazer o evento, mesmo com tudo o que aconteceu".
"E, por outro lado, queremos reconhecer a quem nos ajudou a ter condições para o conseguir fazer, embora ainda tenhamos gente sem telefone fixo, sem televisão. Mas, mesmo assim, conseguimos dobrar o cabo da Boa Esperança".
Após a tormenta provocada pela depressão Kristin, Meirinhas, uma das freguesias mais afetadas da região de Leiria, quer agradecer a quem foi em seu socorro.
É o caso dos Bombeiros Sapadores de Braga, a Unidade Local de Proteção Civil de Quintela de Azurara, de Mangualde, no distrito de Viseu, a Freguesia de Ferreira de Aves, do concelho de Sátão, também em Viseu, e a Freguesia de Santa Maria de Lamas, de Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, além da Unidade Local de Proteção Civil de Meirinhas.
"Entre muitas empresas e juntas de freguesias que nos apoiaram, estas foram aquelas que colocaram os recursos humanos no terreno e passaram cá mais dias connosco. Os Sapadores de Braga estiveram cá sete dias seguidos. De entre muita gente que nos ajudou, estes foram aqueles que prescindiram da família, da vida deles, para virem para cá dias sucessivos", recordou João Pimpão.
Os Sapadores de Braga e as equipas das juntas de Ferreira de Aves e Quintela de Azurara repararam acessos, retiraram madeira de estradas e andaram a arranjar telhados, lembrou o autarca.
Já a Junta de Freguesia de Santa Maria de Lamas, levou "uma quantidade de geradores que permitiram que serviços essenciais à comunidade trabalhassem".
"Até houve uma fábrica que trabalhou por causa de um gerador que eles trouxeram".
Como forma de agradecimento, Meirinhas vai até àquelas terras recolher esses voluntários, "mais de cem pessoas", e levá-los até ao Festival da Fava para lhes dar almoço e reconhecimento.
"No sábado [09 de maio] vamos buscá-los, de autocarro, às suas terras, trazemo-los para cá, oferecemos o almoço e depois vamos fazer uma pequena sessão, que chamámos 'Mandar a Kristin à fava', na qual vamos oferecer uma lembrança e um agradecimento a estas entidades".
Por tudo isso, o presidente da junta está certo que será um festival diferente este ano.
"Sem dúvida nenhuma que vai ser a edição com mais carga emocional".
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