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Correio da Manhã

Sociedade
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Menos pescado e a preços mais baixos

O peixe desembarcado nas lotas algarvias caiu quase 10% e o preço médio de venda baixou cerca de 6%, no primeiro trimestre do ano. Os dados constam no boletim Datapescas, da Direcção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM).

4 de Junho de 2012 às 01:00
Quantidade de peixe descarregado nas lotas teve uma quebra acentuada no primeiro trimestre
Quantidade de peixe descarregado nas lotas teve uma quebra acentuada no primeiro trimestre FOTO: Luís Forra/Lusa

Nos primeiros três meses do corrente ano foram capturadas 5,2 mil toneladas de peixe, o que traduz uma diminuição de mais de 500 toneladas em relação a igual período do ano passado.

Por lotas, Tavira (que tem grande relevância em termos de capturas de polvo), Vila Real de Santo António, (‘especializada’ em marisco), e Portimão (onde é descarregada grande parte da sardinha capturada na região), registaram quebras superiores a 30%. Em Lagos a quebra foi de quase 7%. Só em Olhão houve uma subida (5,9%), o que resulta de ter havido "mais cavala", segundo o entendimento de António da Branca, da associação Olhãopesca.

O preço médio por quilo de peixe caiu de 2,09 euros para 1,96 euros. Carlos Silva, da Associação de Armadores da Pesca Artesanal do Barlavento Algarvio, diz que isso resulta da quebra na captura de polvo, que tem grande valor comercial. E queixa-se que existem espécies, como o linguado e o tamboril, que "rendem menos do que há anos atrás", frisando que "os intermediários têm lucros excessivos".


CONQUILHAS SEM TOXINAS

A apanha de conquilhas na zona costeira entre Vila Real de Santo António e Tavira já voltou a ser permitida, mas mantém--se a proibição de captura das restantes espécies de bivalves, afectadas por uma toxina prejudicial à saúde. Na faixa entre Olhão e Faro, a interdição abrange todo o tipo de bivalves.

De acordo com o Instituto de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR), a proibição resulta de ter sido detectada uma toxina, designada de DSP, que pode provocar diarreia, vómitos e dores abdominais. A interdição não abrange a ria Formosa.

António da Branca, da Olhãopesca, diz que o sector da ganchorra atravessa uma grave crise, defendendo o abate de embarcações. E critica as licenças atribuídas a espanhóis.

PESCADORES VÃO TER DE CAPTURAR MENOS SARDINHA

A quantidade de sardinha que pode ser pescada este ano em Portugal é de 36 mil toneladas, o que traduz uma redução significativa relativamente ao ano passado (55 mil toneladas). "É mau para o sector e, sobretudo, para as fábricas, que ficam sem matéria-prima", diz Mário Galhardo, da organização de produtores Barlapescas, que não concorda com a redução, porque "não existem estudos rigorosos sobre os recursos na costa portugueses". Até ao final do ano, a quota que ainda existe disponível (27 mil toneladas) será gerida a nível nacional. "Espero que haja uma distribuição equitativa", refere António da Branca, da Olhãopesca.

PESCADORES PEIXE PESCA
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