Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
3

Menos pessoas morrem de overdose

Novo relatório conjunto da Europol e da agência europeia de monitorização do fenómeno da droga foi apresentado esta terça-feira, em Lisboa.
28 de Maio de 2013 às 11:22

O consumo de droga é uma das principais causas de morte entre os jovens na Europa, refere o Relatório Europeu sobre Drogas 2013, divulgado esta terça-feira em Lisboa pela agência europeia de informação sobre este problema (EMCDDA).

Segundo o documento, a taxa de mortalidade - provocada diretamente pelo consumo de droga, através de 'overdoses', ou indiretamente, por doenças várias, sobretudo infectocontagiosas, e acidentes, violência e suicídio - ronda os 1 a 2 por cento (%) por ano.

Os últimos dados compilados pelo EMCDDA (OEDT- Observatório Europeu da Droga e Toxicodendência na anterior designação em português) apontam para uma descida do número de mortes por overdose, registando-se, ainda assim, 6.500 casos.

A canábis é a droga ilícita mais experimentada pelos estudantes europeus, embora esse consumo tenha diminuído ligeiramente em relação ao início do século XXI.

Mesmo assim, os especialistas estimam que 15,4 milhões de jovens europeus, entre os 15 e os 34 anos, tenham consumido canábis no último ano.

A canábis é, destacadamente, a droga mais apreendida na Europa, com cerca de 2.500 toneladas por ano, seguida da cocaína, que registou o dobro das apreensões notificadas para as anfetaminas e para a heroína.

O tratamento de toxicodependentes na Europa atingiu níveis recorde, mas é preciso investir em novas intervenções e na reinserção social, defende a agência europeia de controlo das drogas.

No Relatório Europeu sobre Drogas 2013, a que a Lusa teve acesso, a EMCDDA alerta para a necessidade de investir mais em políticas de saúde dirigidas aos toxicodependentes, sobretudo para tratar a hepatite C e prevenir as overdoses.

Para os responsáveis do relatório, "o tratamento da toxicodependência será, provavelmente, uma opção política eficaz em termos de custos, mesmo em tempos de austeridade económica".

O EMCDDA estima que pelo menos 1,2 milhões de europeus tenham recebido tratamento por consumo de drogas ilícitas em 2011, sendo que os consumidores de opiáceos constituem o maior grupo em tratamento, seguido pelos consumidores de canábis e os de cocaína.

Dos utentes que iniciaram o tratamento especializado da toxicodependência, cerca de metade (47%) estavam desempregados, e quase um em cada dez (9%) não tinham uma casa estável.

O este grupo caracteriza-se também por um baixo índice de escolaridade, tendo 36% completado apenas o ensino básico.

A quantidade, o tipo e a disponibilidade de novas drogas sintéticas na Europa aumentaram em 2012, proliferando sobretudo através da Internet e acarretando fortes desafios para a saúde pública, aplicação de legislação e tomada de decisões políticas.

De acordo com o documento, em 2012 foram "oficialmente notificadas, pela primeira vez, 73 novas substâncias psicoativas", através do Sistema de Alerta Rápido (SAR) da UE, o que, para os especialistas, "confirma a tendência para o aumento de novas substâncias notificadas em cada ano: 24 em 2009, 41 em 2010 e 49 em 2011".

Na análise conjunta do EMCDDA e da Europol, no ano passado, a lista de substâncias notificadas foi dominada por 30 canabinoides sintéticos, que imitam os efeitos da canábis.

drogas morte jovens overdose canábis heroína emcdda europol relatório
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)