Crescimento em 2025 ficou acima do esperado pela GfK, que vaticina um horizonte incerto para este ano.
O mercado mundial de bens tecnológicos de consumo cresceu em valor 5% em 2025, disse à Lusa o diretor-geral da GfK, que estima que este ano o crescimento seja de 0,4%, com um horizonte bastante incerto.
António Salvador falava à Lusa no dia em que a GfK realiza a conferência "30 anos a decifrar o mercado", que irá analisar as tendências do mercado de bens tecnológicos de consumo, num evento que decorre no Museu do Oriente, em Lisboa.
"No ano passado o mercado mundial de bens tecnológicos de consumo cresceu em dólares [...] 5%, portanto cresceu mais do que estávamos à espera", referiu António Salvador.
Este é um dos resultados da análise anual da GfK sobre o desempenho do setor, que será esta terça-feira abordado na conferência.
"Cifra-se hoje em 857 mil milhões de dólares, é o nível mais alto em vários anos, apesar de uma desaceleração no volume", prosseguiu o diretor-geral. Ou seja, "estou a falar de crescimento em valor, que é um crescimento muito afetado também [...] pela desvalorização do dólar", apontou António Salvador.
De qualquer maneira, "é um excelente crescimento, o valor avança mais rapidamente do que o volume do total [...] e cresceu em todas as regiões", sintetizou.
"Nós prevemos para 2026 um crescimento bem menos acentuado, em termos de valor, porque aquele crescimento foi muito impulsionado por nichos 'premium', que é sempre difícil antever que possam vir a acontecer", depende "muito de avanços tecnológicos, também depende naturalmente das transformações no comportamento do consumidor" e da crescente influência da inteligência artificial [IA]" e ainda "de novas dinâmicas económicas e geopolíticas", enquadrou.
Portanto, numa leitura prospetiva de mercado, "pensamos um crescimento bem menos acentuado, de 0,4%, [este ano] um crescimento significativo em todas as regiões, com exceção da Ásia, e inclusive com decréscimo na China, de 6%", referiu.
"Na restante Ásia [o crescimento] é 'flat'" e os outros mercados "crescem em números entre 4% e 3%, seja a Europa de Leste e o Médio Oriente e a África, com 4%, seja a Europa Ocidental, a América do Norte e a América Latina, com 3%", detalhou.
António Salvador referiu que apesar destes dados, não se sabe o que vai acontecer no mundo, nomeadamente o conflito com o Irão.
"O impacto do preço de petróleo e o risco de inflação, enfim, são coisas das quais falaremos também [na conferência], que podem ter um efeito cascata ao longo da cadeia de valor", prosseguiu.
Ou seja, preços elevados de petróleo, elevado custo de logística e de fabrico.
"Basta lembrarmos o que é que aconteceu na covid, em que os custos de transporte cresceram imenso, houve 'n' fábricas que de repente deixaram de funcionar e que depois demorou tempo a voltar, a corresponder à procura" do consumir, recordou.
"Pode haver uma absorção de margem, pode haver uma repercussão de custos para os fabricantes, pode haver um aumento de preço para o retalho", salientou.
A menor subida dos bens tecnológicos de consumo tem a ver com a inflação "que presumimos que vai acontecer, contrariando tendências prévias, mas agora, aparentemente, isso está em cima da mesa e pode levar a gastos restritos", advertiu António Salvador.
Quanto à conferência, como "é a trigésima vamos fazer também uma pequena retrospetiva do que é que foram estes 30 anos em que estamos a atuar e a entender o mercado, digamos, a decifrá-lo, mas também vamos enriquecê-lo com três convidados", destacou.
Um dos convidados é António Casanova, CEO da Unilever FIMA e Gallo Worldwide, que abordará "O contexto não é desculpa: crescimento sustentando num mercado em mudança".
Os outros dois são Daniel Ribeiro, diretor executivo da AGEFE, que irá abordar os desafios global/impacto local, a indústria eletrodigital, e Carlos Manuel Oliveira, 'humantech AI futures researcher", que falará de como a IA vai transformar o mundo.
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