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Correio da Manhã

Sociedade
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Migrações estão a criar um "exército de pobres”, alerta bispo de Leiria-Fátima

Cardeal D. António Marto lembrou que “um em cada sete emigrantes morre” às mãos de traficantes de seres humanos.
Isabel Jordão 13 de Agosto de 2018 às 01:30
D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima
Imagem é transportada na nova estrutura até que a habitual seja restaurada
Patriarca de Lisboa, Manuel Clemente
António Marto, o bispo de Leiria-Fátima
Santuário de Fátima
Santuário de Fátima
D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima
Imagem é transportada na nova estrutura até que a habitual seja restaurada
Patriarca de Lisboa, Manuel Clemente
António Marto, o bispo de Leiria-Fátima
Santuário de Fátima
Santuário de Fátima
D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima
Imagem é transportada na nova estrutura até que a habitual seja restaurada
Patriarca de Lisboa, Manuel Clemente
António Marto, o bispo de Leiria-Fátima
Santuário de Fátima
Santuário de Fátima
O crescente êxodo das populações do Médio Oriente e do Norte de África para a Europa está a gerar um "exército de pobres", disse este domingo, no Santuário de Fátima, o bispo de Leiria-Fátima, cardeal D. António Marto, salientando que "morre um em cada sete emigrantes, às mãos de traficantes de seres humanos".

"Assim se destrói a vida de milhões de pobres, obrigando-os a partir e a deixar a sua casa", disse D. António Marto, que falava aos jornalistas antes do inicio da peregrinação do migrante e do refugiado, que levou milhares de fiéis ao recinto.

Com as celebrações da peregrinação a serem presididas pelo bispo de Santiago, o cardeal cabo-verdiano D. Arlindo Furtado, a situação em África mereceu particular atenção do bispo de Leiria-Fátima. Este afirmou que "África foi roubada pelas multinacionais", referindo-se a "interesses económicos muito concretos, como o comércio de armas".

"Os países ocidentais durante muito tempo exploraram África – ficando com as matérias-primas, vendendo armas, pondo e depondo governantes – e não pensaram que podia haver uma consequência deste tipo", disse D. Arlindo Furtado, afirmando que "agora é a vez de África vir em massa para a Europa" e defendendo que os africanos têm "o direito de emigrar".

Para o bispo de Santiago, a "história colonial" exige uma "reflexão sobre o que se fez no passado para não se repetir no futuro". Referindo-se aos "emigrantes forçados", defendeu que "a solução terá de ser global". O bispo de Santiago, que está em Fátima pela segunda vez a presidir a uma peregrinação, afirmou que o Santuário "é um ponto de encontro para muita gente, sobretudo para os migrantes, que andam enfarinhados na vida do dia a dia". "Em Fátima respira-se humanidade, é um local integrador e reconfortante que nos projeta para a eternidade."

A peregrinação, que assinala a quarta aparição de Nossa Senhora, termina esta segunda-feira, com a missa e a procissão do adeus.

Pomba e rosas em novo andor 
Um novo andor, feito em madeira de cedro do Brasil e que está revestido a folha de ouro fino, transporta a imagem de Nossa Senhora de Fátima, na procissão que a leva da capelinha das Aparições para o altar do recinto.

Da autoria de Sílvia Patrício e de Eusébio Calvário, o novo andor pretende ir "ao encontro de uma comunicação com o peregrino de forma clara", refere o Santuário de Fátima, num comunicado de imprensa.

A estrutura apresenta quatro painéis e quatro colunas, onde se encontram uma cruz de Cristo em carvalho coroada de rosas e folhagens, uma pomba da paz com um ramo de oliveira sobre um pedaço de azinheira e dois lírios. Conta ainda com um coração carregando um tojo, um sol e três rosas, lá instaladas com a missão de representar cada um dos três Pastorinhos de Fátima, entre outros elementos. O novo andor foi estreado na peregrinação aniversária de julho e vai ser utilizado pelo Santuário enquanto o andor habitual é alvo de uma "intervenção de restauro".

Santuário envia 30 mil euros para vítimas do fogo 
O Santuário de Fátima vai entregar 30 mil euros à Cáritas diocesana do Algarve para fazer face às "primeiras necessidades" das pessoas que perderam os seus bens no incêndio de Monchique. "Estamos abertos a novos contributos, se for necessário", disse o bispo de Leiria-Fátima, cardeal D. António Marto, enviando "palavras de reconhecimento a todos aqueles que estão no terreno".

Panamá recebe imagem peregrina em janeiro 
O Santuário de Fátima vai enviar a imagem peregrina nº 1, de um total de 13, para a Jornada Mundial da Juventude, que se realizará no Panamá entre 23 e 27 de janeiro do próximo ano. É o primeiro encontro mundial de jovens na América Central. Esta imagem foi produzida segundo as indicações da Irmã Lúcia.

Jovens voluntários dão apoio aos peregrinos
Um projeto de voluntariado, envolvendo jovens dos 16 aos 35 anos, está a decorrer no recinto do Santuário de Fátima. O primeiro turno conta com a participação de sete jovens que são desafiados a "vivenciar o acolhimento aos peregrinos, ao mesmo tempo que aprofundam a mensagem de Fátima".

DEPOIMENTOS
Emília Gonçalves, 38 anos, Vila do Conde
"Vim pela minha mãe, que morreu de cancro"
"Vim em memória da minha mãe, que faleceu a 11 de maio do ano passado, e fiz-lhe uma dedicatória de vir vestida de branco. Morreu com um cancro e pedi a Nossa Senhora para lhe aliviar a dor."

João Almeida, 17 anos, Braga
"O meu pai foi emigrante e era uma dor muito grande"
"O meu pai foi emigrante quase 10 anos no Luxemburgo. Lembro-me de ele ir embora e era sempre uma dor muito grande. Só quem passa por isso é que sabe dar valor."

Daniel Magalhães, 30 anos, Lousada
"Estou a viver em França e venho pedir saúde"
"Estou a viver em França há dois anos e meio e agora estou de férias com a família. Venho acender uma vela e deixar um pedido a Nossa Senhora de Fátima. Peço sobretudo saúde e felicidade para a minha família."
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