Doente oncológica acabou por confirmar um cancro em estado avançado. (Atualizada às 21h03)
O Ministério da Saúde lamentou, esta quarta-feira, profundamente a situação de uma doente oncológica que esperou dois anos por uma colonoscopia que depois confirmou um cancro em estado avançado, inoperável.
Em declarações à agência Lusa, fonte oficial do Ministério da Saúde disse ser uma situação "intolerável", que "lamenta profundamente".
O caso faz hoje manchete no ‘Diário de Notícias', que conta que uma doente com cerca de 60 anos descobre um cancro em estado grave depois de dois anos à espera de um exame.
Segundo o jornal, a doente fez o rastreio ao cancro colorretal e a análise foi positiva, tendo sido de imediato encaminhada para o hospital Amadora-Sintra, mas sendo chamada para consulta apenas um ano depois.
A colonoscopia, fundamental para confirmar o diagnóstico de cancro, demorou mais de um ano a ser feita. A doente descobriu então ter um cancro em estado avançado, que é inoperável, encontrando-se a fazer quimioterapia para reduzir o tumor. A Inspeção-geral das Atividades em Saúde (IGAS) vai abrir um processo de averiguações.
AMADORA-SINTRA ABRE INQUÉRITO (16h56)
O Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) anunciou, esta quarta-feira, que abriu um processo para "apurar, com rigor, o que aconteceu, para evitar que casos destes se repitam, assumindo, no entanto, toda a responsabilidade sobre eventual má prática".
O hospital, que afirma ter "com grande preocupação" tomado conhecimento do caso, refere que o mesmo "contraria todas as boas práticas deste hospital que realiza mais de seis mil colonoscopias por ano e tem um método de referenciação que não permite que um doente sinalizado como urgente esteja mais de um mês sem realizar aquele exame".
"A doente em causa está em processo de tratamento no nosso hospital, estando-lhe a ser dispensados todos os cuidados que a sua situação justifica", prossegue uma nota da unidade de saúde.
ARS DE LISBOA ADMITE "PROBLEMA PREOCUPANTE" (17H05)
A administração regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT) admitiu esta quarta-feira que há um "problema preocupante" com a capacidade de resposta para realizar colonoscopias na região, tanto no setor público como no privado.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da ARS-LVT, Cunha Ribeiro, disse pretender ter, dentro de duas ou três semanas, uma estratégia definida para responder à dificuldade de realização destes exames, que servem de diagnóstico ao cancro colorretal.
As soluções que vierem a ser encontradas devem passar, segundo o responsável, pela "maximização da capacidade instalada nos hospitais públicos" e pelo recurso a entidades sociais e privadas, uma vez que o setor público não conseguirá ser suficiente.
Sobre a dificuldade de realização de colonoscopias nos privados com convenção com o Estado, Cunha Ribeiro disse que o assunto também está a ser analisado, mas sem adiantar mais pormenores.
O presidente da ARS lembrou ainda que o número de especialistas na região para realizar as colonoscopias é "insuficiente para as necessidades".
RASTREIO POSITIVO DETERMINA COLONOSCOPIA IMEDIATA (17H40)
A Associação de Luta Contra o Cancro do Intestino considera inadmissível e inacreditável que um doente espere dois anos para fazer uma colonoscopia, quando um primeiro rastreio positivo obriga a que o exame seja feito de imediato.
Segundo Vítor Neves, presidente da Associação de Luta Contra a Cancro do Intestino (Europacolon), as normas internacionais determinam que, após um rastreio positivo à pesquisa de sangue oculto nas fezes, a colonoscopia deve ser feita de imediato.
A Europacolon refere que, quando um hospital não tem capacidade para responder, o doente deve ser encaminhado para o setor privado para realizar a colonoscopia.
De uma forma geral, indica Vítor Neves, o tempo de espera nos hospitais é superior ao do setor privado com convenção com o Estado.
INSPEÇÃO DE SAÚDE “TUDO FARÁ PARA APURAR RESPONSABILIDADES” (21h03)
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) lamentou, esta quarta-feira, o caso de uma mulher que esperou dois anos por um exame que confirmou um cancro avançado, assinalando que "tudo fará para apurar responsabilidades e eliminar a sua recorrência".
Em comunicado, a IGAS adianta que "está a acompanhar o processo de inquérito já determinado pelo Hospital Fernando da Fonseca [Amadora-Sintra], tendo em vista o apuramento das responsabilidades".
A nota à imprensa refere ainda que a IGAS aguarda o resultado de uma auditoria do hospital ao Serviço de Gastroenterologia, que visa o "apuramento da produtividade do Serviço, bem como da gestão de prioridades da respetiva lista de espera".
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