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Correio da Manhã

Sociedade

Investigada fraude no exame de português

Aluna revelou teor das perguntas na aplicação Whatsapp dois dias antes da prova.
Bernardo Esteves 21 de Junho de 2017 às 14:35
Aulas
Aulas FOTO:  Inês Gomes Lourenço

As questões do exame de Português do 12.º ano terão sido conhecidas antecipadamente por vários alunos. Um ficheiro áudio com o teor das perguntas foi divulgado no sábado, dois dias antes da prova, na aplicação Whatsapp.

A denúncia foi feita por Miguel Bagorro, professor na Escola Luísa de Gusmão, em Lisboa, que fez queixa ao Júri Nacional de Exames.

"Houve alunos beneficiados e o exame devia pura e simplesmente ser repetido", disse o docente ao CM. O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), responsável pela elaboração dos exames, já anunciou que vai enviar o caso para a Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) e para o Ministério Público.

No ficheiro áudio, a que o CM teve acesso, ouve-se uma aluna a revelar os conteúdos da prova, alegadamente divulgados por uma dirigente sindical: "Oh malta, falei com uma amiga minha cuja explicadora é presidente do sindicato de professores, que é uma comuna, e diz que ela precisa mesmo, mesmo, mesmo só de estudar Alberto Caeiro e contos e poesia do século XX. Basicamente, ela sabe todos os anos o que sai e este ano inclusive. Pediu para ela treinar uma composição sobre a importância da memória e outra sobre a importância dos vizinhos no combate a solidão. Se isto não sair eu não tenho nada a ver com isto, ok?".

Os conteúdos anunciados confirmaram-se. No exame realizado na segunda-feira por mais de 74 mil alunos saiu um excerto do poema ‘O Guardador de Rebanhos’, de Alberto Caeiro, um texto de Vergílio Ferreira e a composição era mesmo sobre a importância da memória.

O IAVE emitiu uma nota sobre o caso: "Na sequência da divulgação de um ficheiro áudio que revela informações sobre a prova de Português 639 da 1ª fase, realizada no passado dia 19, e que alegadamente foi difundido antes da aplicação da prova, o IAVE vem informar que, como habitualmente, vai hoje remeter para a IGEC e para o Ministério Público todas as informações de que dispõe sobre o caso para efeitos de averiguação disciplinar e criminal".

O CM questionou o Ministério da Educação sobre o caso e aguarda pela resposta.

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