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Correio da Manhã

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Ministro da Defesa diz que caso Tancos "não é representativo" do "extraordinário trabalho" das Forças Armadas

Governante destacou o "espírito de missão, dedicação, abnegação, capacidade de trabalhar em condições que apenas a condição militar permite".
Lusa 18 de Fevereiro de 2021 às 07:24
João Gomes Cravinho
João Gomes Cravinho FOTO: Mário Cruz/Lusa
O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, enalteceu esta quinta-feira o desempenho das Forças Armadas no combate à pandemia de covid-19, considerando que o caso de Tancos, em julgamento, não é representativo da instituição militar.

"[O combate pandemia de covid-19] serviu, sobretudo, para explicar à população portuguesa que [o polémico caso de] Tancos não é representativo das Forças Armadas (FA). O que é representativo das Forças Armadas é o extraordinário trabalho que têm feito agora, nestes meses em que vivemos sob a pandemia", afirmou Gomes Cravinho, em entrevista à Agência Lusa.

O governante destacou o "espírito de missão, dedicação, abnegação, capacidade de trabalhar em condições que apenas a condição militar permite" por parte da FA. "Se dúvidas houvesse, ficaram inteiramente dissipadas com aquilo que foi a experiência da pandemia", insistiu.

O vice-almirante Gouveia e Melo substituiu no início de fevereiro o ex-secretário de Estado de governos socialistas Francisco Ramos na liderança do grupo de trabalho ('task force') do Plano de Vacinação contra a Covid-19 e foi ativado um Estado-Maior da Força de Reação Imediata (FRI) de 20 elementos para o apoiar no Comando Conjunto para as Operações Militares, em Oeiras.

As Forças Armadas foram também chamadas a colaborar na formação e sensibilização de pessoal dos lares e nas escolas em relação a medidas de prevenção do contágio, entre outras iniciativas.

O caso de Tancos está já em fase de julgamento, tendo o Ministério Público acusado 23 pessoas, entre elas o ex-ministro da Defesa José Azeredo Lopes. Os arguidos são acusados de crimes como terrorismo, associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, abuso de poder, recetação e detenção de arma proibida.

"É um absoluto privilégio ser ministro da Defesa Nacional. Foi possível superar um momento difícil que as FA viviam -- estamos a falar do período 'pós-Tancos'", afirmou Gomes Cravinho, que na sua carreira teve passagens por Timor-Leste, Brasil e Índia.

"Por outro lado, tem sido possível trabalhar, de forma extremamente estreita e de maneira muito intensa, com as chefias militares num quadro de circunstâncias inteiramente inopinadas (pandemia de covid-19). Para mim, profissionalmente, nada que tenha feito no passado me realiza ou gratifica tanto como estar ministro da Defesa", disse.

 A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.419.730 mortos no mundo, resultantes de mais de 109,4 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 15.649 pessoas dos 790.885 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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