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Correio da Manhã

Sociedade
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Missionário que resistiu à malária

Com 29 anos e apenas seis meses de Moçambique, o padre João Torres Campos passou pela difícil experiência de ser infectado pelo vírus da malária, doença também conhecida por paludismo.

17 de Agosto de 2008 às 00:30
Missionário que resistiu à malária
Missionário que resistiu à malária FOTO: Hugo Delgado

A missão que dirigia, no topo norte de Moçambique, apesar de pertencer à diocese de Pemba (antiga Porto Amélia), situa-se no Interior e é atravessada por dois grandes rios. Zona propícia, portanto, à proliferação do mosquito anopheles, responsável pela transmissão da malária. Em Moçambique, a malária infecta quase vinte mil em cada cem mil habitantes, sendo uma das principais causas de morte das crianças com menos de cinco anos.

O mais importante para o padre João Torres Campos era o trabalho, as visitas às comunidades, algumas a um dia de jipe e, por isso, nunca deu grande importância à questão das doenças. Antes da viagem fez todas as consultas, mas a longa estada e a zona onde trabalhou fizeram com que não escapasse à malária. Começou por sentir os normais arrepios de frio, suores intensos, dores de cabeça e musculares, assim como falta de força e de apetite.

O problema é que não era, como afirma, "uma malária das brandas" e chegou a entrar em coma, o que preocupou todos os que com ele conviviam e trabalhavam. Não havia quinino ou injecções que fizessem a febre baixar. Até que, a determinada altura, começou a sentir-se melhor e recuperou totalmente.

Deitou a doença para trás das costas e continuou o seu trabalho. "Se pudesse ainda hoje lá estava. Nós temos uma utilidade que vai muito para além da evangelização", diz o sacerdote, que teima em desvalorizar a doença. "Foi uma febre, mas passou, e a vida é que conta", sublinha.

PERFIL

João Torres nasceu em Braga há 32 anos e é padre desde 2003. Dos cinco anos que leva de sacerdote, dois passou-os em terras africanas, como missionário no distrito de Chiúre, diocese de Pemba, em Moçambique. Hoje, tem cinco paróquias em Braga.

 

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