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Correio da Manhã

Sociedade
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Morreram afogadas 189 crianças em dez anos

Pelo menos 189 crianças morreram por afogamento nos últimos dez anos, segundo a Associação para a Promoção de Segurança Infantil (APSI), que esta terça-feira lança a campanha "Segurança na Água 2012" para reduzir este número.
3 de Julho de 2012 às 17:58
Nos últimos seis anos, os mortos por afogamento não têm diminuído (foto de arquivo)
Nos últimos seis anos, os mortos por afogamento não têm diminuído (foto de arquivo) FOTO: Miguel Duarte / Correio da Manhã

Os dados recolhidos pela APSI referem-se aos 180 casos mortais por afogamento entre 2002 e 2010 registado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e às nove mortes recolhidas pela APSI na imprensa em 2011.

A APSI adianta que, nos últimos seis anos, os mortos por afogamento não têm diminuído, mantendo-se o número de vítimas estável.

Segundo a APSI, nos últimos dois anos por cada criança que morreu, duas a três foram internadas, significando que, em média, em 2009 e 2010, 48 a 49 crianças e jovens foram vítimas de afogamento.

Na última década, 70 por cento dos afogamentos ocorreram com rapazes, sendo a faixa etária dos 0 aos quatro anos aquela onde acontecem mais casos.

A APSI indica também que os afogamentos acontecem de modo proporcional nos planos de água construídos (tanques, piscinas, poços) e nos planos de água naturais (praias, rios, ribeiras, lagoas).



A associação sublinha que a praia é o plano de água com menos registos de afogamentos.

De acordo com a APSI, 60 por cento dos afogamentos no Norte e 50 por cento no Centro (incluindo Lisboa) são em planos de águas naturais, enquanto 55 por cento dos que se registam no Sul e 63 por cento nas regiões autónomas são em planos de água construídos.

Julho e agosto são os meses onde se verificam mais casos, apesar de se registarem afogamentos em todos os meses do ano.

Para reduzir estes números, a APSI lança, pelo 10.º ano consecutivo, a campanha "Segurança na água -- a morte por afogamento é rápida e silenciosa", que visa a prevenção dos afogamentos com crianças e jovens. 

A campanha vai estar presente na imprensa, rádio e televisão, sendo ainda distribuídos, em todo o país, postais e pacotes de açúcar com conselhos sobre segurança na água.



A APSI chama ainda a atenção para o relatório europeu de avaliação da segurança infantil que atribuiu a Portugal uma classificação de duas estrelas, sendo a pontuação máxima cinco, sobre o nível de segurança na água que oferece às crianças e jovens.

Segundo a associação, Portugal devia criar legislação para a construção de piscinas e uma regulamentação para a protecção de piscinas e outros planos de água construídos em casas particulares, condomínios e aldeamentos residenciais.

A APSI vai ainda realizar, dia 11, em Faro, a conferência "segurança na água: o que mudou em Portugal".

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