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Correio da Manhã

Sociedade
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Morreu à espera na Urgência do hospital

Uma mulher de 70 anos, Rita Mourato, que sofria de doença crónica no intestino, morreu ontem no Hospital de Portalegre depois de ter estado mais de quatro horas à espera de ser atendida na Urgência da unidade. O avançado estado de desidratação, provocado pelas sucessivas diarreias e vómitos de que foi vítima na última semana, poderão ter causado a morte.
17 de Novembro de 2008 às 00:30
Amigos e familiares de Rita Mourato apontam negligência na triagem do hospital
Amigos e familiares de Rita Mourato apontam negligência na triagem do hospital FOTO: Manuel Isaac

Amigos e família apontam culpas ao enfermeiro que estava responsável na tarde de sábado pela triagem dos doentes na Urgência. Segundo Lourenço Fura, que acompanhou Rita Mourato até ao hospital, o técnico não soube avaliar o estado de saúde da doente. "Se não tinha a certeza da gravidade devia ter pedido auxílio a um médico. Atribuiu-lhe a senha amarela [urgente] quando devia ter dado a vermelha [emergente], uma vez que quando entrou no hospital, pelas 16h15, já estava a desfalecer. Sem forças, teve de ser transportada numa cadeira de rodas e quase já não falava", referiu.

Com o serviço de Urgência a registar na altura uma afluência considerável, a doente esperou quatro horas e meia por assistência. "Foi atendida por uma médica atenciosa e que tomou todas as providências", salientou Lourenço.

Rita Mourato, viúva e residente em Reguengo, ficou internada mas acabou por falecer na madrugada de ontem, cerca das 03h00. "Se tivesse sido medicada e hidratada quando entrou no hospital talvez não tivesse morrido", lamentam os amigos de Rita Mourato.

Os problemas de saúde da idosa, que sofria de colite intestinal, agravaram-se na quarta-feira. Nesse dia foi observada no Centro de Saúde e regressou a casa com medicação.

PORMENORES

AVERIGUAÇÕES

O assessor da administração do hospital, Ilídio Pinto, referiu ao ‘CM’ que será iniciado um processo de averiguação.

OUTROS CASOS

Em menos de um mês este é o segundo caso conhecido de negligência no Hospital de Portalegre. Em 29 de Outubro, o CM noticiou a suspensão de um médico espanhol acusado pelos pais de uma bebé de ter provocado asfixia da criança no parto.

REDUÇÃO

A redução do horário do SAP nos Centros de Saúde de Portalegre e Elvas veio provocar, segundo os utentes, um entupimento nas Urgências.

 

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