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Correio da Manhã

Sociedade
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Legionella volta a matar em Alverca

Domingo cumpre-se um mês da deteção do surto da doença do legionário em Vila Franca de Xira. DGS só confirma dez mortos.
João Saramago 6 de Dezembro de 2014 às 18:53
Familiares e amigos de António Amador (foto pequena) estão assustados com mais uma morte por legionella. Autoridades estão a investigar ligação ao surto
Familiares e amigos de António Amador (foto pequena) estão assustados com mais uma morte por legionella. Autoridades estão a investigar ligação ao surto FOTO: João Carlos Santos

A morte por legionella voltou a cair sobre Vila Franca de Xira. Desta vez a vítima foi um homem de 43 anos, residente em Alverca. Um mês após ser conhecido o surto, familiares e amigos disseram ao CM temer que a bactéria – que se propaga através da inalação de água – possa ainda provocar mais mortes.

António Amador deu entrada no Hospital de Vila Franca de Xira na segunda-feira, com febre de 39 graus. Ficou internado, mas o seu estado de saúde não revelou melhoras e "acabou por falecer quinta-feira, ao fim da tarde", disse a viúva, Natália Rocha.

As autoridades de saúde procuram saber se este é um caso esporádico da doença ou se está inserido no surto. O diretor-geral da Saúde, Francisco George, disse ao CM que a morte de António Amador "está a ser alvo de investigação para ser apurado se se enquadra no tipo de bactéria que provocou o surto".

Mais de 300 infetados

António Amador adoeceu a 23 de novembro, já num período de risco muito reduzido de infeção. Com base em modelos matemáticos, o coordenador da Direção de Serviços de Informação e Análise da Direção-Geral da Saúde (DGS), Paulo Nogueira, admitiu que poderiam deixar de surgir novos casos a partir de 20 de novembro. Por agora, as autoridades confirmam 336 infetados, dos quais dez morreram.

Conhecida a morte de António Amador, amigos e familiares disseram estar alarmados e revoltados. "Pensávamos que o pesadelo já tinha terminado. Sempre acreditámos que era uma gripe", contou Manuela Ferreira, amiga de António. Uma vizinha, Sónia Paz, defendeu que "a população tem o direito de ser informada se há ainda o risco de infeção".

Um grupo de moradores de Forte da Casa também reclama mais esclarecimentos: "Quer haja mais mortes ou não, temos o direito de saber se há motivos para ter medo", disse Pedro Fonseca. O funeral de António Amador realizou-se este sábado, no cemitério de Alverca.

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