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Correio da Manhã

Sociedade
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Mudança vista como positiva

Paredes é o segundo concelho do distrito do Porto com mais escolas a encerrar. Ao todo, serão 14 os estabelecimentos de ensino básico que irão fechar definitivamente as portas neste ano. E já estão previstos outros encerramentos até 2015, ano em que deverá estar concluída a carta educativa.
22 de Agosto de 2010 às 00:30
Paulo André e o filho, André, defendem a mudança dos alunos de Vilarinho de Baixo, e a velhinha escola, que ambos frequentaram, está degradada. O concelho de Paredes vai ficar sem 14 escolas primárias no início do ano lectivo 2010/11.
Paulo André e o filho, André, defendem a mudança dos alunos de Vilarinho de Baixo, e a velhinha escola, que ambos frequentaram, está degradada. O concelho de Paredes vai ficar sem 14 escolas primárias no início do ano lectivo 2010/11. FOTO: Roberto Bessa Moreira

Mas, ao contrário do que se tem verificado em muitos municípios do País, em Paredes não há contestação. Alunos, pais e responsáveis políticos aplaudem a medida do Ministério da Educação, pois todos estão convencidos de que a mudança será para melhor. A carta educativa de Paredes, aprovada no mandato anterior, já supunha o encerramento das escolas agora reveladas pelo Ministério da Educação.

O documento, que concretiza um investimento de cem milhões de euros, 60% dos quais financiados por fundos comunitários, propõe a construção a curto prazo de oito centros escolares, para os quais serão transferidos os alunos das antigas escolas. Dois deles, Mouriz e Gandra, estão em fase de conclusão e será aí que ficarão os alunos de 12 das 14 escolas a fechar em breve. Os restantes serão colocados no centro escolar de Vilela, que só ficará pronto em 2011.

Paulo André, de 41 anos e pai de três filhos em idade escolar, simboliza o sentimento da comunidade: "Não vejo qualquer problema no encerramento das escolas, desde que os alunos fiquem com melhores condições." Paulo André mora em frente à Escola de Vilarinho de Baixo, que no último ano lectivo acolheu apenas 15 alunos, numa única turma que integrava diferentes anos de escolaridade. É uma das que vão fechar. "A minha filha também anda numa turma mista e isso não é solução", critica. Por isso, a transferência das crianças para o novo centro escolar de Gandra, que está a ser construído a um quilómetro de distância e vai acolher 500 alunos, é vista com bons olhos por este antigo aluno da Escola de Vilarinho de Baixo.

"Aqui, a ginástica era ao ar livre. Por outro lado, o novo centro escolar fica perto e o transporte não será grande problema". André, filho de Paulo, andou na mesma escola e, apesar do saudosismo, não coloca entraves ao encerramento. "Na minha altura, ainda havia quatro classes diferentes, mas as turmas eram todas muito pequenas. Na minha éramos só dez", recorda.

"ALDEIAS FICAM DESERTAS"

Os pais dos alunos da Escola Básica de Liceia, uma das oito que encerram no concelho de Montemor--o-Velho, o mais afectado no distrito de Coimbra pelo reordenamento da rede escolar, não se conformam com a decisão. Os oito alunos que estavam inscritos para o próximo ano vão ser reintegrados na escola de Viso, a um quilómetro e meio.

"Não faz sentido as crianças irem para o Viso e depois continuarem a vir a esta escola almoçar porque a outra não tem refeitório", critica Elisabete Coelho, mãe de Mariana, de nove anos. Na tentativa de evitar o fecho, os encarregados de educação fizeram várias reuniões, mas o processo é irreversível, como reconhece Elisabete Coelho: "Estaremos sempre contra, mas já não temos esperança de que voltem atrás." "Depois dizem que as aldeias ficam desertas, mas levam as crianças para os grandes centros", argumenta a encarregada de educação.

Luís Leal, presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, refere que todo o processo foi alvo de negociação e na perspectiva de atingir "um patamar superior em termos de qualidade".

Os alunos de quatro das escolas que fecham vão ser recolocados no novo Centro Educativo em Montemor-o-Velho, que vai abrir em Setembro. Este estabelecimento terá capacidade para 1500 alunos e inclui todos os anos, desde o pré-escolar até ao 12º ano. Os restantes serão reintegrados em escolas de aldeias próximas.

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