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Greve na Agência para a Integração, Migrações e Asilo arrancou, esta segunda-feira, com a adesão de "muitos trabalhadores".
A greve na Agência para a Integração, Migrações e Asilo arrancou, esta segunda-feira, com a adesão de "muitos trabalhadores", mas com os postos de atendimento a funcionar, sem afetar quem "já é demasiado prejudicado: os imigrantes".
O balanço do primeiro dia de uma semana de paralisação foi feito à Lusa pela presidente do Sindicato dos Técnicos de Migração, que explicou que, até ao momento, "não está nada encerrado", tal como projetado pela estrutura sindical.
"Qualquer greve tem de prejudicar quem serve, mas as pessoas que servimos já estão demasiado prejudicadas. Por isso, optámos por uma greve de uma semana para que não houvesse o encerramento total dos postos", disse à Lusa Manuela Niza, admitindo, no enquanto, que na sexta-feira possa vir a haver postos encerrados.
Muita gente "aderiu ao primeiro dia de luta", mas a presidente do sindicato explicou que o principal objetivo desta greve é "chamar a atenção da opinião pública para a problemática que se vive na AIMA" e esse objetivo foi atingido.
Segundo Manuela Niza, a AIMA é uma estrutura que "dificilmente funciona, por uma questão de gestão e de organização".
O panorama traçado pela sindicalista é de serviços onde faltam funcionários e os que ainda ali trabalham estão "esgotados e desmotivados", porque "não são acarinhados, nem valorizados". Os funcionários sentem "uma pressão imensa" para dar resposta a quem os procura, mas "o sistema está criado para não ter um resultado", acusou.
Além disso, acrescentou, as condições de trabalho "são miseráveis": Há postos de atendimento "sem água para disponibilizar aos utentes ou funcionários"; outros postos onde "se morre de frio e de calor"; postos com os "tetos a cair" e outros onde faltam computadores para trabalhar.
Os trabalhadores estão esta semana de greve para exigir uma carreira especial, porque "o assunto da migração é especialíssimo", defendeu Manuela Niza.
Enquanto não é criada a carreira especifica, o sindicato pede ao Governo que avance com o subsídio de especificidade de funções, "que foi prometido no primeiro governo de Montenegro", disse Manuela Niza.
O sindicato pede também uma formação inicial de dois meses, no mínimo, para quem chega pela primeira vez à AIMA, para estar preparado para lidar com as situações e para que "não haja situações completamente desumanas".
"Somos um instituto público e o que nós queremos é uma agência que funcione e não nos faça morrer de vergonha pelos casos que aparecem na comunicação social e que são resultado da falta de formação e gestão desta casa", acusou.
Manuela Niza lembrou ainda que o Sindicato dos Técnicos de Migração pediu na semana passada uma audiência ao Presidente da República para poderem dar conta "da situação dos funcionários e da situação migratória em Portugal".
A sindicalista criticou que a migração sirva de "arma de arremesso político, sendo visto como um ativo tóxico" por pessoas que se esquecem que, no final do dia, o que está em causa é a vida "das pessoas, muitas crianças".
A greve começou, esta segunda-feira, e irá continuar nos dias 2, 3 e 5 de junho na luta por melhores condições de trabalho e de funcionamento dos serviços, "incapazes de dar uma resposta célere aos processos de regularização".
O recurso a serviços externos para funções de elevada complexidade técnica é outra das preocupações dos trabalhadores, que lamentam a "deterioração da imagem institucional da AIMA".
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