Devido à intensidade da água, a barreira de proteção da ponte do Corgo, na Estrada Municipal 1305, cedeu e, por segurança, ficou interdita a circulação rodoviária.
Os municípios do Douro no distrito de Vila Real contabilizam elevados prejuízos na sequência da chuva intensa que está a provocar deslizamentos de terras, derrocadas e quedas de muros e a afetar vinhas e estradas.
Em Santa Marta de Penaguião, a presidente da câmara aponta como situação mais preocupante a aldeia de Alvações do Corgo, que ficou com o acesso direto à sede do concelho cortado pela interdição da ponte sobre o rio Corgo e de uma estrada junto à aldeia.
A agência Lusa encontrou três trabalhadoras agrícolas junto à ponte, onde foram deixadas depois de um dia de trabalho na vinha e de onde têm que seguir e pé até à aldeia, uma situação que se repete desde quarta-feira.
"Para ganharmos o nosso pãozinho temos que ir e vir a pé e ainda é um bocado", contou Maria do Céu Rodrigues, 61 anos que explicou que a alternativa pelo Peso da Régua é um trajeto "mais longo e dispendioso".
As três mulheres fazem a poda nas vinhas do Douro.
"Fica mais complicado para nós e se estiver mau tempo temos que ir debaixo de chuva para casa. Ir e vir", salientou Maria Pinto, 57 anos, que descreve muitas paredes caídas e caminhos interrompidos por causa da chuva intensa e da, consequente, saturação dos solos.
Maria Helena Rodrigues, 67 anos, explicou que a camioneta as ia buscar à aldeia, mas agora, "para facilitar", são as trabalhadoras que se deslocam a pé. Disse ainda que entende que, enquanto chover é difícil resolver o problema, mas espera que a situação fique resolvida o mais rapidamente possível.
Devido à intensidade da água, a barreira de proteção da ponte do Corgo, na Estrada Municipal 1305, entre São João de Lobrigos e Alvações do Corgo, cedeu e, por segurança, ficou interdita a circulação rodoviária.
Este é o acesso direto da aldeia à sede do concelho.
Sílvia Silva acrescentou que, antes da aldeia, a estrada está também em risco, por causa de um muro construído em 2023, e que, nesta localidade, há três casas que estão isoladas, cujos moradores estão a ser acompanhados.
Este constrangimento está a afetar os transportes escolares, que têm que fazer o desvio pelo concelho vizinho da Régua, bem como os moradores que precisam de ir ao centro de saúde ou às compras à sede do concelho.
A autarca fala em "muitas ocorrências" um pouco por todo o concelho inserido na Região Demarcada do Douro (RDD), realçando como "grande preocupação" os viticultores que já tiveram "uma vindima péssima".
A autarca apontou para muros caídos, muitos em vinhas, para deslizamentos de terras e derrocadas.
O Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP) fez esta sexta-feira saber que está a acompanhar, de forma contínua e atenta, a evolução da situação na RDD, assegurando a monitorização permanente de eventuais impactos no setor vitivinícola neste território.
"Já são dezenas de muros que caíram, patamares completamente destruídos nas vinhas, casas atingidas, ainda agora uma ficou com os fundos soterrados, uma casa que estava em construção caiu. Temos algumas estradas cortadas e algumas situações de muito risco, com penedos a caírem nas estradas", descreveu à Lusa o presidente da Câmara de Mesão Frio, Paulo Silva.
O autarca disse que as equipas da Proteção Civil, câmara, juntas, bombeiros e GNR não têm parado "dia e noite" e alertou para a falta de meios, nomeadamente numa câmara com a dimensão deste concelho duriense.
Para além das ocorrências em terra, em Mesão Frio há ainda preocupações com a cheia no rio Douro.
"Os caminhos são ribeiros. Há caminhos que já nem se vê o chão, é água, lama, é muito complicado", advertiu.
Em Sabrosa, esta sexta-feira a maior preocupação foi com uma fissura detetada na estrada municipal (EM) 590, em Gouvães do Douro, junto ao rio Douro, que está cortada ao trânsito.
O vereador da Proteção Civil, António Araújo, disse que já foi feita uma fiscalização ao local, mas ressalvou que qualquer intervenção a fazer no local só poderá acontecer depois do tempo melhorar, apontando para várias ocorrências relacionadas com deslizamentos de terras e quedas de muros.
Na quinta-feira, neste concelho, na aldeia de São Cristóvão do Douro, um deslizamento de terras de uma vinha destruiu um armazém, dois carros, duas moto-quatro e uma motorizada.
Na cidade de Vila Real, pelas 18:99 de hoje caiu uma árvore de grande porte antes da subida da reta de Mateus, o que está a condicionar a circulação rodoviária naquela zona.
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