Estão previstas atividades como música, cinema, conferências, encontros, o lançamento de um estudo e de uma plataforma digital de acesso livre sobre 70 anos de apoios.
A reabertura do Museu Gulbenkian, com entrada gratuita até dia 26, e a realização de um concerto do Coro e da Orquestra assinalam este sábado a celebração dos 70 anos da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
Para celebrar as sete décadas de existência, que se completam este sábado, o Museu Calouste Gulbenkian terá entrada gratuita durante nove dias, a partir de este sábado - dia da abertura ao público de uma nova exposição - após um ano e meio de encerramento para obras que recuperaram o espírito de 1969, quando foi criado.
A intervenção de renovação e requalificação do museu - reconfigurado com novas vitrinas, melhor iluminação, climatização otimizada e um restauro profundo das peças - teve como objetivo criar uma "harmonização do espaço, num regresso à visão original do projeto".
Essencialmente, a intervenção geral das obras no museu foi realizada com o propósito de "dotar as suas galerias de melhores condições técnicas para exibir a sua coleção", que voltará a poder ser vista pelo público, incluindo uma nova sala dedicada à numismática antiga.
Regressam igualmente às galerias diversas obras que permaneciam nas reservas, entre as quais estampas japonesas, caixas de ouro, medalhas, esculturas e um para-sol veneziano, enquanto as lâmpadas de mesquita voltam a ser apresentadas individualmente em vitrinas restauradas com vidro antirreflexo, depois de mais de duas décadas expostas em conjunto.
A Sala Lalique - um dos espaços mais emblemáticos do museu e da coleção - é a principal exceção à estratégia global de recuperação do museu, porque em vez de ter sido reproduzida integralmente do projeto de 1969, passou a integrar pinturas de Edward Burne-Jones e John Singer Sargent, estabelecendo um diálogo entre a obra do joalheiro e o contexto artístico do seu tempo, explicou na quinta-feira o novo diretor do museu, Xavier Francesco Salomon.
Este sábado, a partir das 10:00, após as boas-vindas de António Feijó, presidente do Conselho de Administração da Fundação, e de Xavier F. Salomon, diretor do Museu, serão realizadas visitas com mediadores e oficinas de gravura com entrada livre mediante inscrição.
Está previsto um concerto do Coro e da Orquestra Gulbenkian, sob a direção de Carlo Rizzi, com a soprano Sonya Yoncheva. "Concebido para assinalar os 70 anos da Fundação", o concerto faz "uma viagem por momentos emblemáticos do repertório operático europeu", com obras de Bizet, Puccini, Mascagni, Dvorák, Massenet, Gounod e Verdi.
Música, cinema, conferências, encontros, o lançamento de um estudo e de uma plataforma digital de acesso livre sobre 70 anos de apoios estão também previstos, numa série de iniciativas que se estendem até dezembro e incluem ainda a estreia de obras encomendadas a compositores, na próxima temporada de música, conversas e a aula inaugural do recém-formado Instituto Gulbenkian de Estudos Avançados, em novembro.
Numa "agenda que celebra o passado e projeta uma visão aberta e contemporânea de futuro", segundo a fundação, haverá ainda o ciclo de cinema "Don't Look Back", em setembro, "que explora relações entre música, cultura e sociedade".
Desde quinta-feira, está patente ao público a exposição "Gulbenkian, 70 anos em cartaz", que combina 70 cartazes da coleção e outros materiais gráficos de atividades programadas ou apoiadas pelos serviços da fundação, nas áreas da educação, arte e ciência.
Muitos dos cartazes foram concebidos por artistas como Marcelino Vespeira, Sebastião Rodrigues, Alda Rosa, José Brandão, Jorge Silva, Vivó Eusébio e Change is Good, Ian Anderson (The Designers Republic) e Kiko Farkas. A exposição pode ser vista até 19 de outubro.
Em setembro, tem início o ciclo de cinema com dois documentários de época: "A Hard Day's Night", de Richard Lester, comédia musical que acompanha John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, durante 36 horas, no auge da 'Beatlemania'; e "Don't Look Back", de D.A. Pennebaker, que dá nome ao ciclo, e acompanha o jovem Bob Dylan numa digressão de três semanas pelo Reino Unido, em 1965.
O ciclo prolongar-se-á até ao final de setembro, e inclui ainda "A Última Valsa" ("The Last Waltz"), de Martin Scorsese, com o derradeiro concerto dos The Band, em 1976; "Stop Making Sense", de Jonathan Demme, com os Talking Heads ao vivo, quando lançavam "Speaking in Tongues", em 1983; "Summer of Soul", de Ahmir 'Questlove' Thompson, documentário sobre o festival Harlem Cultural, de 1969, concebido para celebrar a cultura e a música afro-americana e o orgulho negro, que ficou conhecido pelo "Woodstock de Harlem"; e "Purple Rain", de Albert Magnoli, estreia de Prince no cinema, Óscar de Melhor Banda Sonora, em 1985.
Cada filme é comentado por um autor, crítico ou divulgador, como Pedro Mexia, Isilda Sanches, Rui Miguel Abreu e Nuno Galopim.
Em outubro, as celebrações entram pela nova Temporada de Música e pelos concertos do Coro e da Orquestra Gulbenkian, já anunciados, com a estreia de obras de compositores como Carlos Caires ("Celebration"), no dia 08, e de Andreia Pinto Correia ("Deste mund'outro"), no dia 21, num programa que também inclui as composições "Descubro a voz", de Luís Tinoco, e "Quatro canções", de Joly Braga Santos.
Em 11 de novembro, será feita a conferência inaugural do Instituto Gulbenkian de Estudos Avançados, pelo historiador David Nirenberg, diretor do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, que no dia seguinte participará numa conversa pública sobre o papel das humanidades na sociedade contemporânea.
Em 20 e 21 de novembro, a revista Colóquio realiza o encontro "A Arte da Crítica", o primeiro da história da revista, com programa ainda a anunciar.
As comemorações dos 70 anos da fundação encerram com os concertos da Orquestra Gulbenkian, nos dias 10 e 11 de dezembro, em que será estreada a obra de compositor neerlandês Hawar Tawfiq "O Que Fica".
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