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Correio da Manhã

Sociedade

“Não pode ser às cegas”

João Semedo, Deputado do Bloco de Esquerda, sobre exigência da Troika para os médicos de família terem mais utentes
21 de Dezembro de 2011 às 01:00
“Não pode ser às cegas”
“Não pode ser às cegas”

Correio da Manhã – A Troika quer os médicos de família com mais 20 por cento de utentes. A medida resolve o problema da falta de médicos de milhares de portugueses?

João Semedo – Essa medida já tinha sido admitida pelo Bloco de Esquerda, e por organizações dos médicos, para resolver o problema da falta de médicos de família. Agora depende da forma como for implementada, não pode ser feita às cegas. As listas de utentes são ponderadas pelas patologias e grupos etários. Há determinadas doenças que exigem mais tempo ao clínico. Além disso, se trabalha mais, terá de receber mais salário.

– Vivem-se tempos de crise. Haverá margem para pagar mais?

– A crise não pode servir para anular direitos de quem trabalha. Um aumento de 20 por cento de utentes implica um aumento da carga horária e, por isso, terá de ser remunerado em conformidade. A não ser que se consiga aumentar o número de utentes reduzindo o tempo médio das consultas.

– Reduzir o tempo da consulta não diminui a qualidade da assistência?

– É claro que degrada a qualidades cuidados.

– Como vê o aumento das taxas moderadoras?

– É preocupante e o valor deverá ser superior ao anunciado.

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