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Correio da Manhã

Sociedade

Não quer abdicar das férias de verão? Turismo rural quer ser solução e já sente aumento da procura

"Confinados em férias" no campo poderá ser "uma solução" para as férias dos portugueses este ano face à pandemia de covid-19.
Lusa 10 de Maio de 2020 às 10:28
Quinta Matias
Turismo rural de Sete Quintas, em Miranda do Corvo
Turismo rural de Sete Quintas, em Miranda do Corvo
Turismo rural
Turismo rural de Sete Quintas, em Miranda do Corvo
Turismo rural de Sete Quintas, em Miranda do Corvo
Junto aos quartos há baloiços e camas de rede onde pode relaxar enquanto aprecia a natureza envolvente e lê um livro
Houses in Pico
Quinta Matias
Turismo rural de Sete Quintas, em Miranda do Corvo
Turismo rural de Sete Quintas, em Miranda do Corvo
Turismo rural
Turismo rural de Sete Quintas, em Miranda do Corvo
Turismo rural de Sete Quintas, em Miranda do Corvo
Junto aos quartos há baloiços e camas de rede onde pode relaxar enquanto aprecia a natureza envolvente e lê um livro
Houses in Pico
Quinta Matias
Turismo rural de Sete Quintas, em Miranda do Corvo
Turismo rural de Sete Quintas, em Miranda do Corvo
Turismo rural
Turismo rural de Sete Quintas, em Miranda do Corvo
Turismo rural de Sete Quintas, em Miranda do Corvo
Junto aos quartos há baloiços e camas de rede onde pode relaxar enquanto aprecia a natureza envolvente e lê um livro
Houses in Pico
As associações de turismo rural e de habitação consideraram que este tipo de alojamento pode ser uma solução para os portugueses se "confinarem em férias" e já notam um aumento da procura para o verão.

"Confinados em férias" no campo poderá ser "uma solução" para as férias dos portugueses este ano face à pandemia de covid-19, disse à agência Lusa o presidente da Associação do Turismo de Habitação (TURIHAB), Francisco de Calheiros.

"Achamos que o turismo de habitação e rural vai ser um produto de exceção e de excelência, digamos assim. Há já o interesse, já há quem esteja a fazer estas marcações e provavelmente vão ser os alojamentos mais procurados", considerou o presidente da TURIHAB.

Para Francisco de Calheiros, as razões são "óbvias": as casas no meio rural estão mais isoladas, o que pode também atrair quem mora na cidade, não é turismo de massas, a capacidade para receber turistas é relativamente mais reduzida e os espaços são de maiores dimensões, tornando-os apropriados para férias em família.

"Os nossos operadores já começam a sentir que há um interesse grande", adiantou Francisco de Calheiros.

Apesar de reconhecer que a condição de ruralidade pode ser favorável, o presidente da Federação Portuguesa de Turismo Rural (FPTR), Cândido Mendes, teme que o mercado interno não seja suficiente para garantir as receitas necessárias.

Neste momento, adiantou, existe um aumento "tímido" da procura por casas rurais para pequenas famílias.

"A sazonalidade no turismo rural é muitíssimo grande. De um modo geral as empresas amealham no verão, para depois fazerem face às despesas no inverno. [...] As regiões turísticas do país estão todas a apostar no mercado interno, porque não há outro, mas o mercado interno não é elástico e vai diminuir, porque muitas famílias tiveram perda de rendimentos e, portanto, o mercado interno não é suficiente", alertou Cândido Mendes, em declarações à agência Lusa.

Se as casas rurais estão a ser alvo de interesse, já em relação aos hotéis rurais, o panorama é mais desanimador, admite Cândido Mendes.

"As pessoas têm receio de viajar para locais mais massificados, portanto, de facto, sermos rurais é uma situação que, neste momento, joga a nosso favor, mas o que se nota, e é transversal a todo o país, é que não há procura por hotéis rurais", lamentou.

Segundo a FPTR, praticamente todas as empresas de hotéis rurais aderiram ao selo "Clean & Safe" do Turismo de Portugal, estão neste momento a fazer investimentos avultados para aumentar a segurança de clientes e colaboradores e reabrirem em junho, porém "o mercado não está a reagir".

A Associação de Hotéis Rurais de Portugal (AHRP), da qual Cândido Mendes também faz parte, já enviou uma carta ao Turismo de Portugal e à tutela a dar conta das suas preocupações e a pedir a aplicação de medidas específicas para o setor, como o alargamento do 'lay-off' aos meses de inverno, uma medida a que quase todos os empresários do ramo aderiram, e a melhoria das condições de apoio para manutenção dos postos de trabalho.

"Se nada for feito por este setor, vamos sofrer um retrocesso enormíssimo, que vai provocar muitos danos nas economias locais. Vai ser uma catástrofe completa", avisou Cândido Mendes.

Também Francisco de Calheiros, da TURIHAB, considerou que não tem sido dada a devida atenção a este segmento de turismo, por parte das entidades oficiais e tutela.

"Houve uma concentração em alojamentos locais, que é uma moda e um tipo de alojamento que agora também está em dificuldades. Desprezou-se em grande parte esta modalidade de turismo, que tem a ver com o património, com a cultura, com a tradição e com a gastronomia", considerou.

Portugal entrou domingo em situação de calamidade, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais. 

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