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"Natal deste ano será diferente" devido à Covid-19, alerta presidente da Comissão Europeia

"Vacina não é acontecimento milagroso que irá mudar tudo de um dia para o outro", disse Ursula von der Leyen
Lusa 28 de Outubro de 2020 às 14:12
Ursula von der Leyen
Ursula von der Leyen FOTO: Direitos Reservados
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou esta quarta-feira que "o Natal deste ano será diferente" devido à pandemia de covid-19, e depende "muito" de como a União Europeia reagir ao crescimento de casos nas "próximas semanas".

"Acho que o Natal deste ano será um Natal diferente. Muito depende do comportamento de cada indivíduo - ao nível regional, nacional e europeu -- mas também da maneira como iremos reagir nas próximas semanas. Mas acho que vai ser um Natal diferente", afirmou Ursula von der Leyen, em conferência de imprensa.

As declarações de Von der Leyen vão assim ao encontro das do diretor do departamento de Vigilância do Centro Europeu para Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), Bruno Ciancio, que, em entrevista à Lusa, referiu que a celebração do Natal este ano vai "depender muito" das medidas adotadas agora pelos países europeus.

"Não será um Natal com viagens pelo mundo ou com grandes ajuntamentos, mas ainda poderá ser um Natal com significado e pacífico se baixarmos as taxas de infeção", referiu Bruno Ciancio na entrevista à Lusa.

Também o Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, admitiu, em meados deste mês, que poderá ser necessário "repensar o Natal em família", devido ao aumento exponencial de casos de covid-19 na Europa.

Na conferência de imprensa de quarta-feira, Von der Leyen sublinhou ainda que "levará tempo" até que uma vacina possa ser testada de maneira a ser considerada "eficaz e segura" e que, como tal, não pode ser considerada um "acontecimento milagroso".

"A vacina não é o acontecimento milagroso que irá mudar tudo de um dia para o outro. É uma luz no final do túnel, mas são necessários vários passos até que consigamos ver a luz total", frisou Von der Leyen.

As declarações foram feitas durante a apresentação de um documento da Comissão Europeia que estabelece um conjunto de recomendações aos Estados-membros para "limitar a propagação do coronavírus, salvar vidas e fortalecer a resiliência do mercado interno".

Entre as recomendações feitas, o executivo comunitário propõe a utilização de aplicações de rastreamento do covid-19 em todos os Estados-membros, medidas como a compra de testes rápidos ou um enquadramento comum na elaboração de estratégias de vacinação nacionais.

Relativamente à utilização de aplicações, o objetivo da Comissão é que o conjunto de aplicações nacionais fique interligado através de um sistema de interoperabilidade a nível europeu, que foi disponibilizado na semana passada, e que já conta com a participação da Alemanha, Irlanda e Itália, estando previsto que outros 18 Estados-membros, incluindo Portugal, se junte ao mecanismo em novembro.

Já no que se refere à utilização de testes rápidos, a Comissão Europeia anunciou que irá mobilizar 100 milhões de euros do Instrumento de Apoio de Emergência para a compra destes testes, que ficarão depois ao dispor do conjunto dos Estados-membros, mediante a apresentação de uma estratégia nacional de testes que deverá ser feita até meados de novembro.

A Comissão apela também à implementação de estratégias de "vacinação eficazes" - que permitam que as vacinas, assim que estejam disponíveis, possam ser "rapidamente distribuídas e implementadas com um "efeito máximo" -- e que deverão ser enquadradas por uma "plataforma para monitorizar a [sua] eficácia", elaborada pela Comissão Europeia.

Na quinta-feira terá lugar uma reunião virtual com o conjunto dos líderes dos 27, com o objetivo de desenvolver mais mecanismos de coordenação para combater a pandemia de covid-19 na UE, e onde deverão ser discutidas as recomendações hoje apresentadas.

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