Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
3

Novas estirpes do novo coronavírus deixam médicos em alerta

Variante californiana afeta a resposta imunitária e eficácia do tratamento com vacinas. Estirpe britânica representa 48% dos casos em Portugal.
Francisca Genésio 26 de Fevereiro de 2021 às 01:30
Viagens poderão começar a ser equacionadas, já que Portugal deixou de estar entre as regiões de risco muito elevado
Viagens poderão começar a ser equacionadas, já que Portugal deixou de estar entre as regiões de risco muito elevado FOTO: MIGUEL A. LOPES/lusa
A s variantes do novo coronavírus têm surgido de todas as partes do Mundo e os resultados preliminares de estudos científicos sobre as mutações começam a assustar a comunidade médica e científica. A mais recente variante do vírus foi encontrada em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Foi considerada muito “preocupante” pelo facto de afetar a capacidade de resposta imunitária do corpo e a eficácia de terapêutica com vacinas.

“Preocupa-nos que esta nova variante possa estar a destronar outras estirpes, à semelhança das variantes do Reino Unido e da África do Sul”, refere David Ho, responsável pela investigação, ainda não publicada, do Centro Médico da Universidade de Columbia, em Nova Iorque. De acordo com os cientistas, as estirpes encontradas na Califórnia assemelham-se à do Reino Unido, à do Brasil e à da África do Sul, já que a mutação a torna a mais infecciosa.

Em Portugal, a variante britânica representa 48% dos casos. Há 7 casos confirmados da estirpe brasileira e 4 da sul-africana. “Olhamos para as notícias sobre as estirpes da Califórnia, México e Japão com preocupação, mas aguardamos a publicação dos artigos científicos. Só aí conseguiremos perceber o impacto. Foi o que aconteceu com as três mais perigosas e já identificadas em Portugal”, explica ao CM Ana Isabel Pedroso, especialista em Medicina Interna no hospital de Cascais.

De acordo com a médica, as mutações “são normais já que são a única forma de o vírus sobreviver”. Apesar da normalidade, são especialmente preocupantes, já que “estão associadas a cargas virais muito superiores”, o que significa que a doença se transmite muito mais rapidamente. No caso da estirpe britânica, a mortalidade associada à forma grave da doença é superior em 30%. “Um estudo feito no Reino Unido concluiu que a variante infetou em proporção mais jovens dos 10-19 anos, do que adultos. Isto é completamente novo e serviu de apoio ao encerramento das escolas. Penso que neste momento, em que se fala que o desconfinamento começará pelas escolas, o uso de máscara em crianças tem de ser equacionado”, defende a médica.

Esta quinta-feira, Portugal deixou de estar entre as regiões europeias de risco muito elevado devido à pandemia de Covid-19 nos mapas do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), que servem de apoio às decisões sobre viagens.



Mais informação sobre a pandemia no site dedicado ao coronavírus - Mapa da situação em Portugal e no Mundo. - Saiba como colocar e retirar máscara e luvas - Aprenda a fazer a sua máscara em casa - Cuidados a ter quando recebe uma encomenda em casa. - Dúvidas sobre coronavírus respondidas por um médico Em caso de ter sintomas, ligue 808 24 24 24
Nova Iorque Estados Unidos da América Reino Unido Portugal Califórnia saúde saúde
Ver comentários