Prejuízos devem ultrapassar os 100 milhões de euros. Presidente da Câmara afirma que concelho precisa de "ajuda rápida".
"Nunca me calarei enquanto não tivermos o dinheiro, quer para as empresas, para os particulares ou para o município". A garantia é de Clarisse Campos, presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal. A autarca reclama apoios reais do Estado, nomeadamente a fundo perdido, após o 'comboio de tempestades' que afetou o País entre 22 de janeiro e 8 de fevereiro. Só no município há “cerca de 500 mil euros em candidaturas e pedidos à CCDR Alentejo”. Pagos estão "zero". "O governo transferiu zero, até agora, para a CCDR pagar", lamenta.
Os prejuízos das tempestades no concelho são muito avultados. Devem ultrapassar, no total, os 100 milhões de euros. Clarisse Campos pede urgência nos pagamentos. "É preciso que o dinheiro venha, para que Alcácer do Sal possa recomeçar". A autarca lembra ainda que, até agora, é o dinheiro das pessoas que está a ser utilizado: “As verbas que andam para a frente são das empresas, dos particulares e da câmara. Estamos com custos incomportáveis. Só do município são 80 milhões de euros."
Percorrendo a parte baixa da cidade, é possível ver que alguns negócios já abriram, quase um mês após as tempestades, que fizeram mais de 200 desalojados no concelho. São poucos, mas dão alguma esperança. A presidente garante que “é o resultado de muito sacrifício das pessoas, das suas poupanças”. Clarisse Campos afirma que o concelho precisa de “ajuda rápida”. Os seguros ainda não pagaram “qualquer verba”.
Na Avenida dos Aviadores, ainda na zona baixa da cidade, está um dos símbolos do comércio local: uma loja e fábrica de produtos em couro. José Goucha, o proprietário, é bastante conhecido no País entre os amantes da caça e da equitação e garante ter feito as selas de “quase todos os cavaleiros tauromáquicos do País”. Nas tempestades que inundaram a zona ribeirinha de Alcácer do Sal após a subida do Rio Sado, a água “estragou tudo”.
José Goucha não tem noção exata do prejuízo, mas acredita que seja de 1 milhão de euros. Contudo, “há uma coisa a que as pessoas não dão valor”, mas que o comerciante estima muito: “Os moldes em cartão de todas as peças que fiz e fui guardando. Perdi tudo.” Isto além da maquinaria para trabalhar. Mas não deita a toalha ao chão: “Candidatei-me a tudo o que havia para me candidatar. Até agora, nada. Mas tenho força para recomeçar.”
Ali perto está um armazém e loja de rações. Estava a “vender bem”, mas agora está parado. Os proprietários Joaquim e Rosa Lince, um casal, garantem ter prejuízos de cerca de 300 mil euros. Quando falaram com o CM, estavam a mudar as montras de vidro, que foram partidas com a força da água. “Isto que estão aqui a ver está a ser pago por nós, claro, pois ainda não recebemos qualquer apoio”, lamenta Joaquim.
Quiosque já reabriu
Donos de um quiosque, Domingos e Glória voltaram a abri-lo assim que conseguiram. As despesas foram todas pagas do próprio bolso, juntamente com algumas ajudas que lhes foram dadas. Domingos queixa-se, em concreto, da Segurança Social, que levantou problemas por causa da morada que está registada. "O problema é ser no Seixal. Mas quando é para pagarmos, não há problema nenhum."
Ausência de apoios
Nuno Olímpio, proprietário de uma pastelaria, mostra uma grande indignação ao lembrar as promessas que foram feitas após o mau tempo. Lamenta que tenham ido "todos", de ministros a Presidentes. "Mas até agora nada", diz. Na porta ao lado, Duarte Silva e Lénia, donos de um cabeleireiro e gabinete estético, estão em obras: "Perdeu-se tudo. Se não tivéssemos, ninguém nos dava nada".
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