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Correio da Manhã

Sociedade

“O modelo já deixou de existir”

As novas medidas de simplificação da avaliação são sinal de desespero, considera Mário Nogueira. "O Ministério da Educação (ME) está a fazer isto em desespero de causa; já percebeu que este é um modelo que não funciona, mas não quer dar o braço a torcer. O modelo já deixou de existir. Por isso, o único caminho é a suspensão", disse ao CM o líder da Fenprof.
27 de Novembro de 2008 às 00:30
Os professores protestaram ontem em Leiria e Viseu

O Governo propôs que os docentes que prescindirem de chegar às notas máximas (‘Muito Bom’ e ‘Excelente’) não sejam avaliados na componente pedagógica. "Em vez de se dispensar a parte administrativa dispensa-se a pedagógica, que é a essência da profissão", critica Nogueira, para quem "o pagamento de horas extras não resolve o problema da sobrecarga horária".

Quanto à avaliação dos presidentes de conselhos executivos pelos directores regionais de educação, Nogueira diz ser "inaceitável": "É a governamentalização do espaço-escola através de uma avaliação feita pelo dirigente máximo do ministério na região."

Entretanto, ontem gerou polémica um comunicado do Conselho das Escolas, órgão consultivo do Governo que representa os conselhos executivos, no qual os conselheiros concordaram, de uma forma geral, com as medidas de simplificação que lhes foram transmitidas anteontem num encontro com a ministra. O comunicado corrobora declarações do secretário de Estado Jorge Pedreira, que afirmou que "a larguíssima maioria dos conselheiros" concordou com as medidas.

O conselheiro José Eduardo Lemos garante não ter havido "nenhuma deliberação", mantendo-se a decisão tomada no dia 17 por 30 dos 53 conselheiros, que defenderam a suspensão da avaliação. Essa deliberação não foi entregue à ministra pelo presidente Álvaro Almeida dos Santos, o que levou Lemos a exigir a sua demissão. Ontem, manteve a exigência. Lemos frisou ainda que não foi marcada nova reunião pelo presidente, que ontem esteve incontactável.

"A NOSSA LUTA VAI ENDURECER"

Mais de 2500 professores concentraram-se ontem no Rossio de Viseu, em mais um protesto contra as políticas do Ministério da Educação. Depois do Norte, ontem foi a vez de os docentes voltarem a gritar palavras de ordem contra Maria de Lurdes Rodrigues, nas cidades de Lamego, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Aveiro, Coimbra e Leiria.

"A nossa luta vai endurecer. Nem o frio verga os professores", referiu Francisco Almeida, do Sindicato de Professores da Região Centro, salientando que os docentes "estão cada vez mais unidos em travar as intenções da senhora ministra".

No palco destinado aos oradores esteve também Mário Nogueira, porta-voz da Plataforma Sindical dos Professores, que criticou as "manobras" que o ME "tem vindo a fazer" para tentar "confundir a opinião pública e os professores".

Para hoje estão agendados protestos em Lisboa (18h30, frente ao Ministério da Educação), Setúbal (21h00), Santarém (21h00) e Caldas da Rainha (21h00).

REACÇÕES

"ESTAS MEDIDAS AINDA AGRAVAM O PROBLEMA" (Carlos Chagas - FENEI/SINDEP)

Estas medidas ainda agravam o problema, como na avaliação dos directores, e têm irregularidades: a lei determina que os directores têm de ser avaliados ao abrigo da Carreira Docente.

"NÃO RESOLVE AS QUESTÕES ESSENCIAIS" (João Dias da Silva, FNE)

São medidas que não resolvem as questões essenciais do modelo e do seu carácter injusto porque mantêm o Estatuto da Carreira Docente e as quotas. Por isso, não estamos de acordo.

"ESTE MODELO TROUXE MAU CLIMA ÀS ESCOLAS" (Maria José Viceu - CNIPE, Ass. Pais)

Este modelo de avaliação trouxe um clima totalmente diferente e mau às escolas. Os professores mais dinâmicos, com imensos projectos, estão a deixar isso de lado. Preocupa-me também que passe a haver excesso de subordinação dos directores face à tutela.

 

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