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Correio da Manhã

Sociedade
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Operação destrói rim a mulher

Amélia Dias tem 49 anos e o resto da vida condicionada por um operação a que foi sujeita em finais de Maio de 2004 na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa. Entrou para remover o útero e saiu com um rim obstruído, situação sobre a qual a maternidade recusou prestar esclarecimentos ao CM.
11 de Agosto de 2008 às 00:30
Amélia Dias ficou com uma incapacidade de 60 por cento
Amélia Dias ficou com uma incapacidade de 60 por cento FOTO: Vítor Mota

"Fui fazer uma histerectomia total [remoção do útero], fiquei lá uns dias e quando tive alta fui para casa", lembra Amélia Dias. No entanto, quando chegou a casa confrontou-secomoinesperado: "Tinha febres muito altas, fortes dores lombareseumaindisposição grande".

Sem saber o que fazer, deslocou-se, dois dias depois, ao centro de Saúde. "Mandaram-me de ambulância para o Hospital Curry Cabral, onde levei imediatamente transfusões de sangue."

Neste hospital, os médicos perceberam que Amélia Dias tinha um rim obstruído, alegadamente em consequência da histerectomia que havia feito apenas uns dias antes. Os médicos do Curry Cabral entraram, então, em contacto com a Maternidade Alfredo da Costa. "Quando regressei à maternidade, à consulta de ginecologia, fui recebida por umas pessoas da direcção e pela equipa toda que me operou", recorda. "Queriam saber o que me tinha acontecido e por que razão não falei com eles".

Amélia Dias tem agora uma incapacidade de 60%, por também ter sido operada a um cancro na perna. A Junta Médica, porém, considerou-a apta para trabalhar, segundo conta.

"Tenho mesmo pouca sorte. Depois de retirar o útero e os ovários tive de ser operada ao rim.

AméliaDiasnão chegou a fazer queixa contra a Maternidade Alfredo da Costa por receio de não ser tratada no futuro. "Estava muito fragilizada naquela altura, além de que os médicos nunca têm culpa de nada. Cometem erros, mas não podemos refilar muito senão não nos atendem."

CASOS

CONDENADA

A médica Tatiana Labrentseva foi condenada em 2007 pelo Tribunal da Ribeira Grande, nos Açores, por homicídio negligente de uma jovem de 22 anos asmática, a quem deu um medicamento contra-indicado para a doença. A profissional de saúde foi condenada a 18 meses de prisão, com pena suspensa, e a pagar 125 mil euros à família.

ILIBADOS

O Tribunal de Sintra absolveu este mês os dois médicos que estavam acusados de má prática médica e homicídio por negligência durante um parto no Hospital Amadora-Sintra, em 2002, em que o bebé ficou com o crânio esmagado.

QUEIXAS

Um em cada dez processos disciplinares envolve negligência médica, de acordo com os dados da Inspecção--Geral das Actividades em Saúde, relativos a 2006. Houve 37 043 reclamações (cem por dia). Destas, 300 são por alegada negligência.

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