Autarca considerou o desafio colocado pela Ordem dos Farmacêuticos "bastante pertinente".
O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos desafiou esta sexta-feira a Câmara de Leiria a ser pioneira num projeto que integre as farmácias como entidades prioritárias no plano de Proteção Civil em situações de catástrofes.
Numa reunião na autarquia, Helder Mota Filipe considerou que Leiria pode liderar um projeto que identifique farmácias em pontos estratégicos, que possam continuar a funcionar, mesmo quando há falha de eletricidade ou comunicações.
O presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, admitiu que a ideia pode ser alavancada por Leiria, sugerindo que haja uma farmácia no norte, centro e sul do concelho, com acesso a gerador e a um equipamento de comunicações 'starlink', que possa servir a população daquela zona.
O autarca acrescentou que estes estabelecimentos poderão "receber os 'frios' das outras farmácias".
A presidente da Secção Regional do Centro, Lúcia Santos, reforçou que "o importante é as farmácias serem reconhecidas como um serviço público".
"O repto lançado foi reconhecer a importância do circuito do medicamento na garantia dos cuidados de saúde numa situação de emergência. Nesse sentido, deve haver uma forma de poder envolver as farmácias comunitárias, mas também os laboratórios de análises clínicas de proximidade, nesta resposta estruturada numa situação de catástrofe ou de emergência", disse à Lusa Helder Mota Filipe.
O bastonário mostrou-se "muito contente" pelo interesse demonstrado pelo Município de Leiria em "discutir como é que no futuro se pode melhorar esta resposta também na garantia do acesso ao medicamento e de outros cuidados de saúde, onde os farmacêuticos também estão envolvidos, como as análises clínicas".
Segundo Helder Mota Filipe, durante a tempestade Kristin "Leiria conseguiu responder" e não houve conhecimento de que tivesse ocorrido alguma "tragédia de perda de vidas humanas ou de doentes que ficassem numa situação crítica por não terem tido acesso aos medicamentos".
"Podemos assumir que a gestão foi muito positiva e que durante todo o processo não identificámos nenhuma situação que pusesse em risco a vida ou a integridade das pessoas por falta de acesso a medicamentos", reforçou o bastonário.
Gonçalo Lopes elogiou o trabalho das farmácias de Leiria durante o período das tempestades. "Tiveram um trabalho excecional, mantendo o circuito de fornecimento de medicamentos, que é uma missão pública de saúde fundamental", destacou à Lusa.
O autarca considerou o desafio colocado pela Ordem dos Farmacêuticos "bastante pertinente".
"O fornecimento do medicamento em períodos de ausência de energia e de comunicações deverá ser analisado naquilo que é o nosso planeamento de proteção civil. Vamos desenvolver com as farmácias de Leiria e com a Ordem, um plano para ficar definido, a maneira de podermos ultrapassar situações futuras da ausência de energia e de comunicações", concretizou.
Para o presidente da Câmara, o objetivo é colocar as farmácias como "instituições prioritárias", no fornecimento de energia e reposição da normalidade, passando a estar "ao nível da área da saúde, pelo facto do fornecimento do medicamento ser muito importante".
Gonçalo Lopes salientou que a autarquia irá agendar uma reunião com as farmácias do concelho e com a Ordem, "para definir um plano de prevenção futuro para situações destas, de modo que haja um acionamento mais imediato".
"A resposta dada foi excecional, mas queremos agora concretizar isso numa linha de planeamento que possa servir de exemplo para o resto do país", rematou.
Helder Mota Filipe reuniu também com uma das responsáveis pelo Grupo Beatriz Godinho, que revelou que nos primeiros dias os laboratórios de análises funcionaram apenas para dar resposta a situações urgentes.
Algumas farmácias do grupo foram afetadas na sua estrutura, mas conseguiram entrar em funcionamento pouco tempo depois, havendo ainda dois postos no concelho onde as comunicações ainda não existem.
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