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Correio da Manhã

Sociedade
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Ordem dos Enfermeiros apoia greve e formas de luta dos sindicatos

Dois sindicatos convocaram uma greve de zelo por tempo indeterminado.
5 de Maio de 2017 às 20:32
Ana Rita Cavaco
Ana Rita Cavaco apresentou ao Ministério da Saúde uma proposta de contratação de mais enfermeiros
Ana Rita Cavaco
Ana Rita Cavaco apresentou ao Ministério da Saúde uma proposta de contratação de mais enfermeiros
Ana Rita Cavaco
Ana Rita Cavaco apresentou ao Ministério da Saúde uma proposta de contratação de mais enfermeiros
A bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE), Ana Rita Cavaco, manifestou esta sexta-feira "todo o apoio" do organismo à greve de zelo por tempo indeterminado que dois sindicatos do setor convocaram e que terá início na quarta-feira.

"A Ordem dos Enfermeiros não convocou a greve, mas apoia-a", disse a bastonária numa conferência de imprensa em que estiveram presentes o presidente do Sindicato dos Enfermeiros (SE), José Azevedo, e o presidente do Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (SIPE), Fernando Correia.

Ana Rita Cavaco justificou a posição com o facto de terem sido "esgotadas todas as ações de diálogo com o Ministério da Saúde", observando que, apesar de o Serviço Nacional de Saúde (SNS) ser atualmente "pele e osso", continua-se a despedir enfermeiros nos hospitais.

"Despedem-se enfermeiros nos hospitais, os administradores alegam que não têm autonomia e o ministro (da Saúde) diz que não tem autorização das Finanças", disse a bastonária, afirmando que é altura de o Governo decidir se quer "salvar os bancos ou salvar o Serviço Nacional de Saúde".

Segundo Ana Rita Cavaco, além do despedimento de enfermeiros, há serviços que foram encerrados por falta destes profissionais.

Os dirigentes sindicais e a bastonária admitiram que as formas de luta dos enfermeiros podem agudizar-se, tendo José Azevedo admitido a hipótese de a luta poder ir até uma situação de "abandono dos hospitais", à semelhança do que aconteceu na Finlândia.

A bastonária considerou que todos os sindicatos deviam estar "juntos" no protesto que se inicia na próxima quarta-feira, porque esta "devia ser uma greve histórica da enfermagem".

Ana Rita Cavaco alertou para a enorme falta de enfermeiros e lembrou que foi proposto ao Ministério da Saúde a contratação de 3.000 enfermeiros por ano, durante uma década, precisando que o custo anual da medida seria de 64 milhões de euros/ano, sem grande expressão no Orçamento de Estado para o setor.

"É uma proposta consciente e racional, mas não obtivemos resposta e o governo começou a despedir enfermeiros", queixou-se a bastonária, sublinhando que o setor da Saúde está subfinanciado.

Questionada sobre alegações de que o Ministério da Saúde, à semelhança de outros ministérios, está "refém" do Ministério das Finanças, que decide tudo, a bastonária salientou que é altura de o Governo definir prioridades: "A banca ou a Saúde".

José Azevedo explicou que o protesto dos enfermeiros prende-se com a exigência de uniformização do horário de trabalho (redução para as 35 horas semanais) e a necessidade de serem criadas hierarquias e categorias profissionais, a par de um salário digno para quem é licenciado e exerce um serviço de reconhecida "complexidade".

O dirigente sindical reconheceu que o facto de a greve de zelo se iniciar no mesmo dia em que os médicos começam dois dias de greve dará "mais potência" à ação de luta dos enfermeiros.

José Azevedo criticou ainda o Ministério das Finanças por não dar dinheiro para a saúde e para os enfermeiros, preferindo canalizar recursos financeiros para "obras e obras, porque são essas que deixam comissões".

"Os enfermeiros são o setor público mais mal pago", disse o sindicalista, para quem a greve da próxima semana vai dar "alma à classe".

Também o sindicalista Fernando Correia advertiu o Governo de que, se os enfermeiros tiverem de passar à fase seguinte da luta, "não haverá um único enfermeiro nos hospitais".
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