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Ordem dos Médicos acusa Costa de esconder pedido de desculpa aos profissionais após reunião

Primeiro-ministro não terá contado "integralmente e fielmente" aos jornalistas o que assumiu no encontro, em que terá voltado atrás com as declarações polémicas.
Correio da Manhã 26 de Agosto de 2020 às 16:10
António Costa
António Costa

Em carta aberta enviada às redações, a Ordem dos Médicos (OM) acusa António Costa de ter escondido o pedido de desculpas que fez a estes profissionais na reunião que teve com o organismo esta terça-feira.

Segundo a OM, no encontro "foi reconhecido pelo Primeiro-Ministro que os médicos cumpriram a sua missão no lar de Reguengos de Monsaraz e em todo o país" e que as polémicas declarações feitas, em que acusou os médicos de serem "cobardes", "não correspondem ao que pensa" sobre os clínicos. 

No entanto, no final do encontro, a mensagem que costa transmitiu aos jornalistas não terá coincidido no que tinha dito à Ordem dos Médicos escassos minutos antes e o pedido de desculpas que terá sido feito não foi enfatizado pelo primeiro-ministro.

"Na conferência de imprensa conjunta, quando o Primeiro-Ministro, em declarações aos jornalistas, manifestou publicamente o seu apreço e consideração pelos médicos portugueses, não relevou a mensagem de retratamento da mesma forma enfática que aconteceu na reunião. Por outro lado, uma vez que falámos aos jornalistas antes do Primeiro-Ministro, que fechou a conferência de imprensa, não nos foi possível deixar mais claro que o apoio continuado aos lares não pode ser atribuído aos médicos de família, da forma cega que o Primeiro-Ministro a expressou. Assim, o Primeiro-Ministro não transmitiu integralmente e fielmente aquilo que minutos antes tinha reconhecido", acusa a OM.

No documento, assinado por Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos e Alexandre Valentim Lourenço, presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, é ainda explicado que a OM "enfatizou que o apoio por parte dos médicos de família ao lar de Reguengos foi cumprido, mas que, como regra, os lares do setor social e privado devem ter apoio médico contratado para garantir que os seus utentes são acompanhados de forma regular e que, neste nível de cuidados, é disponibilizada internamente toda a atividade clínica adequada".

"Queremos assegurar-vos que a Ordem dos Médicos não deixará, nesta perspetiva, de continuar a defender a honra e a dignidade dos médicos e dos doentes, e a verificar por vários mecanismos, nomeadamente inquéritos e auditorias, aquilo que são os cuidados de saúde prestados e as boas práticas médicas. A Ordem dos Médicos está ao serviço do país, dos médicos e dos doentes, independentemente de opções e atitudes governativas e políticas do momento", assegura a OM.

O organismo termina: "Continuaremos também, com a elevação que caracteriza os médicos, a privilegiar o diálogo com as instituições, sem abdicar de enveredar por outras medidas, sempre que necessário."
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