Entidade representativa da profissão sublinhou que adesão da população ao Plano Nacional de Vacinação "é essencial" para se conseguir vencer o vírus SARS-CoV-2.
A Ordem dos Médicos apelou hoje aos cidadãos para que mantenham "a confiança na eficácia e segurança das vacinas" contra a covid-19 e pediu que se clarifique "com rigor" a situação de quem aguarda a segunda dose.
"Os cidadãos podem manter a confiança na eficácia e segurança das vacinas, bem como nas novas recomendações relacionadas com a idade, à luz da atual evidência científica", transmitiu hoje, em comunicado, o Gabinete de Crise para a covid-19 da Ordem dos Médicos.
A entidade representativa da profissão sublinhou que adesão da população ao Plano Nacional de Vacinação "é essencial" para se conseguir vencer o vírus SARS-CoV-2.
Na mesma nota, a Ordem dos Médicos realçou ser importante "clarificar com rigor, transparência e celeridade a situação relacionada com os indivíduos previamente vacinados e que se encontram a aguardar a administração da segunda toma".
Para a estrutura dirigida por Miguel Guimarães, o plano de vacinação, a segurança das vacinas e os mecanismos de farmacovigilância são dossiers que devem ser geridos "de forma integrada".
"A divulgação das decisões sobre as diferentes vacinas deveria ser acompanhada da respetiva fundamentação técnica dos pareceres da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), Direção-Geral da Saúde e Comissão Técnica de Vacinação contra a covid-19, como forma de reforçar a transparência e a tranquilidade junto dos cidadãos", preconizou a Ordem dos Médicos.
O organismo presidido por Miguel Guimarães acrescenta que Portugal, ao presidir ao Conselho da União Europeia (UE), "tem a vantagem de poder trabalhar posições de convergência com os vários países, para que a Europa encontre pontos de união, coesão e coerência nas decisões tomadas relativamente às vacinas".
A Ordem dos Médicos alertou ainda, no mesmo documento, para que não se esqueça "a proteção dos países mais desfavorecidos", especialmente a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
O primeiro-ministro, António Costa, lamentou hoje a ausência de uma posição comum europeia sobre a vacina da AstraZeneca, defendeu poderes reforçados para a Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês) e advertiu que não se deve colocar em causa a vacinação.
"No âmbito da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, a ministra da Saúde, Marta Temido, promoveu uma reunião com todos os homólogos e com a Comissão, tendo em vista uma posição conjunta de todos os Estados-membros. Tenho muita pena que não tenha sido possível haver essa posição comum [em relação à vacina da AstraZeneca], porque isso reforçava a confiança de todos", disse o líder do executivo.
Perante os jornalistas, o primeiro-ministro advertiu que terão de ser introduzidos "ajustamentos" no plano de vacinação nacional, já que poderão "sobrar algumas doses da vacina da AstraZeneca enquanto se mantiverem as atuais contraindicações".
A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou na quinta-feira que as autoridades nacionais efetuam uma "boa farmacovigilância" das vacinas contra a covid-19 e que, em Portugal, não foram reportados casos fatais relacionados com administração desses fármacos.
Segundo o presidente do Infarmed, Rui Ivo, foram reportadas "apenas duas situações", uma relacionada com a vacina da AstraZeneca e outra com uma outra vacina, que não especificou.
A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.903.907 mortos no mundo, resultantes de mais de 133,9 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Em Portugal, morreram 16.904 pessoas dos 826.327 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
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